O Entorpecimento de Alister McGrath

Alister McGrath pretende “reviver” a teologia natural, mas está entorpecido por metafísica enganosa.

Um dos aspectos mais fortes das ideologias é o total entorpecimento sobre questões simples. Sabemos que não há nada tão absurdo que o hábito não torne aceitável, e que a imposição de valores e repetição torna o absurdo normal e o normal absurdo. A violência contra o intelecto nesse tipo de coisa provavelmente compromete a capacidade de juízo, tal qual outras teorias recentes da área de humanas (um ativismo neomarxista chamado por alguns pos-modernismo).

Alister McGrath vai além, ele simplesmente repete toda a cartilha da militância anti-design demonstrando clara submissão e submersão aos movimentos ideológicos. Vamos a sua declaração:

É justo dizer que há um grau de complexidade na natureza que não pode ser contabilizado por qualquer mecanismo natural… Mas fico preocupado que o movimento do Design Inteligente, por vezes, usa um pouco a abordagem do “Deus nas lacunas”. Com efeito, você diz: “Olha, você não pode explicar isso – então é Deus“. Veja o livro de Michael Behe, A Caixa Preta de Darwin (1996), que muitas vezes diz: “Nós não podemos explicar isso pela ciência, portanto…”. Mas, na verdade, 15 anos depois, alguns diriam que agora podemos explicar um pouco disso.

Ele começa admitindo a complexidade como um aspecto de design, quando na verdade mera complexidade ou ordem são irrelevantes para a inferência ao design. Temos objetos extremamente simples que são produtos de inteligência e a complexidade máxima é, invariavelmente, produto de sistemas caóticos. Mas essa confusão é comum e não configura qualquer entorpecimento, mas as outras sim:

… o movimento do Design Inteligente, por vezes, usa um pouco a abordagem do “Deus nas lacunas”…

Primeiramente, a inferência ao design não é um apelo à ignorância, ao contrário. Essa ideia de que seja um argumento vazio é provocado por pura imposição e repetição incessante desses termos. Aceitar isso é um absurdo que implicaria viver em um mundo que é impossível distinguir os padrões formados por intencionalidade dos formados por tendências naturais. Seria impossível distinguir uma cidade de dunas no deserto. Mas a repetição provoca esse tipo de condicionamento (entorpecimento). Então, chamamos um não-teólogo natural e não-cristão para dar uma aula de inferências e história natural para McGrath, Thomas Nagel:

Desde o início, tem sido comum apresentar a teoria da evolução por mutação aleatória e seleção natural como alternativa ao projeto intencional como uma explicação da organização funcional dos organismos vivos. A evidência da teoria deve ser evidência da ausência de propósito…

E ele continua, sobre esse entorpecimento, que nega a evidência positiva ainda que a alternativa seja refutada:

[Isso significa que] mesmo que existam evidências científicas contra a teoria evolutiva, que foi inicialmente introduzida como uma alternativa ao design, isso não constituiria nenhuma evidência científica para o design.

Leia mais em: O Design Inteligente é Científico, reconheceu um dos maiores filósofos do mundo

Por outro lado, quem realmente usa, e não é só às vezes, são os cientistas em suas especulações (“ainda não sabemos, mas aconteceu”). Em uma busca rápida aqui no Portal encontrei 5 textos sobre isso: Ignorância por Evidência, Desde a Necessidade até a Suficiência ‒ Metafísica de Possibilidades, Falácia da Ignorância – Leis-ainda-não-conhecidas, O Valor das Lacunas – Reserva Teórica e O Paradoxo das Promissórias.

Ao continuar nós encontramos mais uma amostra de entorpecimento no nível máximo que traz o selo das ideologias:

… não podemos explicar isso pela ciência…

A tradicional confusão entre ciência e evolução. Assim, só a evolução é ciência.

Uma pessoa normal jamais pensaria isso ao ler Behe. De alguma forma ele aceitou de antemão o condicionamento ideológico. Isso seria dizer que “a TDI é uma teoria científica que propõe não haver explicação científica”. Suportar essa ideia demonstra clara confusão mental que só pode ser causada por algum entorpecimento. Essa concepção é produto de um trabalho ideológico condicionante, e é compreensível quando a vemos na militância, mas como alguém que diz estudar esses assuntos adota tal discurso?

Behe também nunca disse isso. O livro dele sequer descarta a possibilidade evolutiva, mas desloca em vários casos o mecanismo darwiniano. Isso é, temos uma pilha de falácias criadas por falta de caráter e entorpecimento passivo. McGrath se prostra e beija os pés de pessoas que propagam o engano intencionalmente. Todos que fazem essas coisas possuem consciência que estão enganando as pessoas.

A vaga impressão de que esse tipo de acusação seria verdade está na sutil confusão intencional do darwinismo com a Ciência ‒ a crítica ao mecanismo darwiniano é considerada contra a ciência ‒ e então temos os “inimigos da ciência, da verdade e da civilização”. Um homem tem que carecer de brio e hombridade para aceitar ser engabelado nesse nível, pois qualquer análise rápida do assunto é suficiente para perceber essas estratégias. Nenhuma teoria ou hipótese deve ser tomada pela ciência.

Mas… e se Behe estivesse criticando a Ciência? Algum aspecto da Ciência está além da crítica? Sabemos de longo tempo que a Filosofia e a Ciência se expressam por deduções, mas o palco de desenvolvimento delas é a dialética (confronto exaustivo e irrestrito de ideias). Por acaso McGrath está usando uma camisa de força ideológica? Claro, e por isso ele deve ser muito cuidadoso ao abordar esses assuntos com receio de ser taxado de um “inimigo da ciência”. Logo depois ele usa esse discurso para demonstrar que está adestrado e buscar aprovação de ideólogos que pouco se importam com a verdade.

E o quadro do atual estado de imposição ideológica na sociedade se torna claro: se um apologista cristão interessado em teologia natural, que deveria entender essas coisas, está entorpecido e se curvou a uma metafísica que até filósofos céticos rejeitam, quanto mais um adolescente na internet sob saraivadas dessa pregação ideológica disfarçada de “divulgação científica”?


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Júnior Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

7 Comentários

  1. Fale-me mais sobre Alister Macgrath…. ….ele está abandonando a teoria do Design Inteligente?

    Ele está apostatando da fé??? Gostaria de uma resposta em privado em meu email.

    • Não é bem assim. Ele nunca foi proponente do Design Inteligente, porém essa declaração deixa bem claro que ele não compreendeu o argumento do design e nem a profundidade da questão.

      Quanto a fé cristã, eu não creio que ele esteja apostatando.

      Abraço.

  2. A fé cristã trabalha com capital intelectual emprestado a bastante tempo. Utilizando o melhor da cultura intelectual. E a síntese, construção de pontes, promoção de diálogo.Teologos como McGrath, continuam essa tradição. Deus criou,mas, como criou? Tudo pronto e adaptável? Extinguivel? Ou surge algo e esse algo gera a diversidade e complexidade? É possível conciliar a revelação bíblica e o naturalismo filosofico? Temos um dilema real ou aparente? Duas narrativas e histórias são contadas,só uma sobreviverá ao teste da verdade.

  3. Olá, Junior.
    Sugiro que você ouça este podcast que pode ajudar a clarificar um pouco o assunto.
    https://bibotalk.com/podcast/teologia-natural/

    É um bom resumo da abordagem de Teologia Natural do Alister McGrath e sua crítica construtiva à abordagem clássica da Teologia Natural (Paley). Não podemos desconsiderar o fato de que, quando observamos a realidade, estamos interpretando-a segundo os nossos pressupostos de fé (sejam estes conscientes ou não).
    Nós não passamos a crer no Criador por que vemos o design na natureza. Nós vemos o design inteligente (a ordem, a beleza, a complexidade) porque cremos no Criador.

    Na humildade de um irmão em Cristo, desejo que seja um material proveitoso no fortalecimento da sua fé como acadêmico cristão.

    • Olá, Pedro, obrigado pelo comentário. A crítica de Alister é uma espada de dois gumes para qualquer interpretação da realidade. Por que eu deveria ceder sobre pressupostos sendo que qualquer outra perspectiva carrega também pressupostos e até mais?

      Abraços.

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