Do Finito ao Infinito – Como o Design Inteligente Resolve o Problema da Causa Primeira

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Matemática & Cosmologia / ©

Ao estudarmos um assunto, geralmente precisamos definir alguns conceitos bases para que não ocorra confusão ou ambiguidade sobre o texto exposto. Esta abordagem é comum em todas as ciências, mas principalmente, na Matemática. Na geometria, a bissetriz de um ângulo é definida como uma semirreta que possui sua origem no vértice do ângulo e divide este em dois outros ângulos adjacentes. Mas o que são ângulo, semirreta e vértice? Ângulo é uma figura geométrica delimitada por duas retas que passam pelo vértice, que é um ponto de referência, e semirreta é uma reta que apresenta um ponto de origem. Mas afinal, o que é ponto e reta?

Estes entes geométricos não possuem definição, e são considerados primitivos, porque a partir deles os demais podem ser definidos. Ou seja, eles são como os alicerces da geometria, possibilitando a construção de todos os demais entes geométricos. Mas porque eles não são definidos? A resposta está na recursividade. Se ousássemos definir ponto e reta (ou plano, que também é um conceito primitivo), precisaríamos de outros conceitos para esta definição. Assim, estes novos conceitos também precisariam ser definidos, e assim sucessivamente, fazendo com que entrássemos em uma recursão eterna.

Se expandirmos esta constatação veremos que todas as ciências padecem desta maldição, porque precisam responder qual é a causa primeira. Qual foi a centelha ou o estopim que deu início as observações que temos acesso?

A resposta a estas perguntas é um problema crítico para as ciências em geral. Para a matemática a não definição de ponto, reta e plano é bem aceita e não traz grandes dificuldades pois é uma abstração da realidade, visto que, não existe nenhum objeto na natureza como o ente geométrico ponto, que possui dimensão zero. Por outro lado, para as outras ciência, como a Física por exemplo, nós precisamos explicar como o universo surgiu, mas esta explicação implica em mais perguntas que respostas. Por isso, surgem explicações como “flutuações quânticas no vácuo” para explicar essa origem, entretanto estas flutuações somente ocorrem porque já existem ali partículas elementares ou algum tipo de energia, ou qualquer outro elemento. O importante é que seja qual for a explicação empregada algo deveria haver ali para dar início a tudo, ou seja, a pergunta não é respondida, mas somente transmutada, porque agora é necessário explicar a origem destes elementos primordiais e a regressão infindável se inicia.

Mas e se não houver um início? Seria isso possível? Matematicamente sim. Para os matemáticos o infinito é tão bem tratável quanto o finito. Quem já estudou cálculo diferencial e integral entende bem isso. A todo tempo calculamos limites que tendem ao infinito. O próprio conjunto dos números reais é infinito. Números racionais famosos como o pi  (π = 3,14159265359…) e o phi (φ = 1,61803398875…) são infinitos, etc.

Essa necessidade da ciência em delimitar o início é um problema grave que ela própria não consegue resolver porque não possui as ferramentes adequadas, eis que limita sua atuação com àquilo que pode ser explicado em termos de matéria, energia e espaço.

Entretanto, o Design Inteligente (DI) é uma Teoria Científica que não tem nenhum problema em assumir o infinito e, inclusive, incorporá-lo em suas proposições. Afinal, pode-se assumir que a causa inteligente seja externa ao sistema, atemporal¹. Assim, o problema da regressão infinita é suplantado com apoio em bases matemáticas que lidam com o infinito. Estes fatos mostram a validade e superioridade do Design Inteligente frente as demais propostas cosmológicas.

Nota do editor ¹: O autor assume uma inteligência transcendental para a cosmologia. Isso faz paralelo com as conjecturas cosmológicas de “multiverso”, propostas para rejeitar o ajuste-findo do universo por “chance” (possibilidade).


 


Bruno Rodrigues de Oliveira
Sobre Bruno Rodrigues de Oliveira 1 Article
Graduado em Matemática pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS, 2008). Mestrado em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP, 2015). Doutorado em andamento em Engenharia Elétrica pela mesma instituição. Atualmente é contador/distribuidor no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Tem experiência nos temas: Matemática, Processamento de Sinais via Transformada Wavelet, Análise Hierárquica de Processos, Teoria de Aprendizagem de Máquina e Inteligência Artificial. http://lattes.cnpq.br/7830342808763452

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