Mais Pontos Sobre os ERVs

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Ilustração de um retrovírus ©

Por Jonathan M. (adaptação)

Nos meus dois artigos anteriores (aqui e aqui), explorei algumas das informações básicas relativas à integração de elementos retrovirais em genomas de primatas e os vários argumentos para ancestralidade comum que são baseados neles. Eu explorei, com algum detalhe, a evidência de ancestralidade comum baseada na localização compartilhada de sequências retrovirais. Neste artigo final, discutirei os dois pontos remanescentes que são levantados no artigo de nível popular que venho examinando.

Mutações Compartilhadas?

Com relação aos “erros” compartilhados entre genomas de primatas, esse argumento novamente assume que as mutações são aleatórias e é improvável que ocorram de forma convergente. Cuevas et al. (2002), no entanto, documentaram, em retrovírus, a ocorrência de convergências moleculares em 12 sítios variáveis ​​em linhagens independentes. Algumas dessas mutações convergentes ocorreram em regiões intergênicas (mudanças em que normalmente se pensa serem seletivamente neutras) e também em sitíos sinônimos. Os autores também observam que esta observação é bastante difundida entre clones de vírus HIV-1 em humanos e em cepas de SHIV isoladas de símios, macacos e humanos.

Como os autores observam:

Uma das características mais surpreendentes ilustradas na Figura 1 é a grande quantidade de convergências evolutivas observadas entre linhagens independentes. Doze dos locais variáveis ​​foram compartilhados por diferentes linhagens. Mais surpreendentemente, convergências também ocorreram dentro de sítios e regiões intergênicas. Convergências evolutivas durante a adaptação de linhagens virais sob condições ambientais artificiais idênticas foram descritas anteriormente (Bull et al. 1997; Wichman et al. 1999; Fares et al. 2001). No entanto, esse fenômeno é observado não apenas no laboratório. É também uma observação relativamente difundida entre os clones do vírus da imunodeficiência humana (HIV)-1 isolados de pacientes tratados com diferentes drogas antivirais; mudanças paralelas são frequentes, muitas vezes seguindo uma mesma ordem de ocorrência (Larder et al. 1991; Boucher et al. 1992; Kellam et al. 1994; Condra et al. 1996; Martinez-Picado et al. 2000). Substituições subsequentes podem conferir níveis crescentes de resistência a drogas ou, alternativamente, podem compensar efeitos deletérios pleiotrópicos de mutações anteriores (Molla et al. 1996; Martinez-Picado et al. 1999; Nijhuis et al. 1999). Além disso, foram observadas convergências moleculares entre os vírus de imunodeficiência símia-humana quimérica (cepa SHIV-vpu +) isolados de macacas nemestrinas, macacos rhesus e humanos após infecções crônicas ou rápida passagem do vírus (Hofmann-Lehmann et al. 2002).

Eu poderia citar vários outros estudos semelhantes. Para outro exemplo de caso, ver Bull et al. (1997).

LTRs e Filogenia

O outro argumento oferecido pelo artigo refere-se às filogenias de primatas em relação às sequências de repetição terminal longa (LTR). Como as LTRs são idênticas no momento da integração, argumenta-se que, se as sequências 5′ e 3′ LTR forem muito diferentes em relação uma à outra, isso deve corresponder a uma inserção mais antiga. O problema é que o padrão não é nada tão limpo e arrumado como muitos darwinistas gostariam que pensássemos.

Uma das principais dificuldades associadas à tentativa de construir filogenias com base na divergência entre as LTR 5′ e 3′ é que se baseia na suposição crítica de que as sequências de LTR 5′ e 3′ estão adquirindo mutações independentemente umas das outras. No entanto, o fenômeno da conversão do gene de LTR cruzada pode resultar em um grau muito menor de divergência, tornando, assim, esse método para inferir o tempo desde que a integração é suspeita.

Os autores observam:

Descobrimos que a conversão gênica desempenha um papel significativo na evolução molecular de LTRs em primatas e roedores, mas a extensão é bem diferente. Em roedores, a maioria dos LTRs está sujeita a extensiva conversão gênica que reduz a divergência, de modo que o método baseado em divergência resulta em uma séria subestimação do tempo de inserção. Em primatas, esse efeito é limitado a uma pequena proporção de LTRs. A explicação mais provável da diferença envolve o comprimento mínimo da sequência de interação (segmento de processamento eficiente mínimo [SPEM]) para a conversão do gene de interloco. Uma estimativa empírica de SPEM em humanos é de 300-500 pb, o que excede o comprimento da maioria das LTRs analisadas. Em contraste, o SPEM para ratos deve ser muito menor. Assim, SPEM pode ser um fator importante para determinar a suscetibilidade de LTRs à conversão gênica. Conclui-se que o método da divergência para estimar o tempo de inserção deve ser aplicado com especial cautela, pois pelo menos alguns LTRs sofrem conversão gênica. [enfase adicionada]

Resumo

Para resumir, observamos nos últimos três posts que o caso da ancestralidade comum de primatas não é tão forte e cortante quanto muitos biólogos evolucionistas gostariam que fosse. Enquanto se pode encontrar um punhado de ERVs que ocupam o mesmo loci, uma inspeção adicional revela que eles são frequentemente eventos independentes.

Na ausência de um mecanismo naturalista viável para explicar como evolução a partir de um ancestral comum poderia ter ocorrido, como podemos ter tanta certeza de que ele tinha que ocorrer? Nesse caso, deve-se razoavelmente esperar que haja alguma evidência espetacular de ancestralidade comum. Infelizmente para os darwinistas, no entanto, as evidências de ancestralidade comum são de contar nos dedos.


Original: Jonathan M. Mais pontos sobre os ERVs. 28 de maio de 2011.

 


Junior Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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