Filosofia do Design: Polanyi & Pathologies

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Cibernética: controle, comunicação e a suscetibilidade aos problemas como característica exclusiva.

Sempre me perguntei o porque Polanyi era tão citado pelos proponentes americanos do Design Inteligente, descobri uma das razões quando o Wallace, entre seus muitos compartilhamentos, enviou um artigo que tratava do conceito de holismo em uma perspectiva histórica. O artigo em português soa como “Então, o que nós realmente queremos dizer quando dizemos que a biologia de sistemas é holística?”¹. Apesar de minha tendência ao reducionismo, e rejeição ao holismo, Polanyi conseguiu expressar de forma satisfatória uma questão interessante:

Para Polanyi, ambos os organismos biológicos e mecanismos de trabalho de construção humana estão em conformidade com as leis físicas, mas isso não significa, entretanto, que eles são totalmente compreensíveis em termos destes. Polanyi salientou que os organismos e objetos mecânicos, de fato complexos como automóveis, têm patologias na maneira que sistemas abertos inanimadas, como tempestades, não possuem. 

Esta não é uma discussão sobre a complexidade; a tempestade é em si altamente complexa, na verdade caótica no sentido matemático formal. Há muitas maneiras que um organismo pode dar errado, pode estar doente, deixar de comer, defender-se, reproduzir ou até mesmo morrer. Da mesma forma, um automóvel pode quebrar ou falhar ao iniciar. Em contraste ácido clorídrico nunca pode falhar para dissolver zinco e um temporal nunca pode deixar de lançar grandes quantidades de chuva.

Isso é, patologias são uma suscetibilidade do design, seja em máquinas seja em músculos. Fora do design não existe o conceito de vulnerabilidade.

O artigo acrescenta que segundo Polanyi…:

... Temos que considerar organismos como a realização ou não de determinados objetivos, caso contrário, não podemos compreender o que os organismos estão fazendo a qualquer momento.

A Cibernética é a ciência da comunicação e controle(regulação), somente sistemas cibernéticos apresentam essa suscetibilidade. Na época desta leitura estava tratando o conceito de Contexto Cibernético para suportar uma extensão teórica, logo, introduzi em A Filosofia no Design Inteligente no caso do Bad Design esta perspectiva e citei os termos: defeito, falha, erro, problema, imperfeição, entre vários, que só existem nesse tipo de contexto, o cibernético:

Ninguém olha para a disposição de pedras na beira do rio e diz que estão da forma errada, ou então que as dunas do deserto estão com alguma imperfeição, muito menos que existe um defeito em poças de água. Todo e qualquer um destes conceitos só existe no contexto de design.

O que lembra o pensamento de Wiener, pai da Cibernética, de que não há distinção entre seres vivos e máquinas num contexto informacional.


Referência:

1) GATHERER, Derek. So what do we really mean when we say that systems biology is holistic?. BMC systems biology, v. 4, n. 1, p. 22, 2010.
http://www.biomedcentral.com/1752-0509/4/22/


Junior D. Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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