Cientistas estão rejeitando o neodarwinismo

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O cientificismo impregnou-se na ciência evolutiva e temos visto diversas alegações entre seus proponentes. Dentre elas, a mais famosa frase é a do biólogo evolutivo Theodosius Dobzhansky em que diz: “nada na biologia faz sentido exceto à luz da evolução” [1: p.449]. O cientificismo é a concepção filosófica de matriz positivista que afirma a superioridade da ciência sobre todas as outras formas de compreensão humana da realidade (religião, filosofia, ciências humanas, metafísica, etc.), por ser a única capaz de apresentar benefícios práticos e alcançar autêntico rigor cognitivo. Nesse sentido, a forte convicção de cientistas darwinistas de que a ciência pode explicar tudo em termos de evolução torna-se sua própria ideologia [2].

Entretanto, adotando o raciocínio de Thomas Burnett, escritor de ciências e editor de comunicação da National Academy of Sciences (EUA), podemos dizer que o cientificismo moderno mostra-se especulativo ao aceitar que a biologia evolutiva é a única fonte de conhecimento humano, e ao adotar uma posição filosófica que não pode ser verificada, ou falsificada, pela própria ciência [2]. É, em outras palavras, não científica. Nós, do design inteligente, denunciamos esse comportamento como ideológico. Mesmo porque a própria revista Science pontuou 125 grandes questões relativas ao ajuste fino do universo e da vida que permanecem sem respostas pela comunidade científica evolutiva [3].

Diante dessas lacunas, a TDI tem alcançado visibilidade e levado cientistas a questionarem os pressupostos evolutivos, embora, como todas as verdades apresentadas, tem sido recebida inicialmente com insultos e ceticismo. Mas como afirmou o filósofo alemão Arthur Schopenhauer [1788-1860]: “Toda verdade passa por três estágios. Primeiro, ela é ridicularizada. Segundo, ela é violentamente resistida. Terceiro, ela é aceita como sendo autoevidente” [4: p.20]. O geneticista e biólogo britânico John Haldane seguiu o mesmo pensamento ao explicar que teorias passam por quatro estágios de aceitação, a saber: “1) isso é um absurdo sem utilidade alguma; 2) isso é interessante, mas despropositado; 3) isso é verdade, mas sem importância; 4) Eu sempre disse isso” [5: p.464].

Independente de qual estágio de aceitação a TDI se encontra atualmente, fato é que os próprios pressupostos neodarwinistas tem levado cientistas a questionarem a teoria darwiniana. Uma das primeiras indicações de uma dissensão científica contra Darwin ocorreu no Simpósio Wistar, em julho de 1966, no centro de pesquisas do Instituto Wistar da Universidade da Pensilvânia, em resposta às descobertas de Murray Eden e outros cientistas colaboradores [6]. As descobertas ainda não haviam sido publicadas, mas mesmo assim despertaram a atenção de biólogos evolutivos. O resultado disso foi a rápida organização da conferência intitulada “Desafios matemáticos para a teoria neodarwinista da evolução”, em que matemáticos e outros cientistas de áreas afins se reuniram para discutir as inadequações do neodarwinismo como teoria científica frente as possibilidade matemáticas.

Uma das descobertas apresentadas na conferência se baseou na modelagem da seleção natural de mutações aleatórias usando a teoria da probabilidade. Murray Eden, professor do MIT, mostrou em sua palestra que seria impossível até mesmo para um único par ordenado de genes ser produzido por mutações no DNA de bactérias E. coli [7]. Ele acrescentou que, a “aleatoriedade” não pode gerar vida e se a seleção aleatória fosse posta de lado, apenas design permaneceria, pois, nesse caso, seria necessário um planejamento intencional por uma inteligência [6]. Ou seja, a partir daí, foi demonstrado que mutações por seleção aleatória (pilar básico do ensino evolutivo) não geram novas informações biológicas.

Outras pesquisas vieram corroborar os limites matemáticos para a evolução darwiniana. O bioquímico Dr. Michael Behe, por exemplo, demonstrou que é exponencialmente pequena a chance de ocorrer em seres humanos uma dupla mutação benéfica simultânea ao acaso capaz de gerar a informação genética requerida para produzir estruturas complexas irredutíveis (1 em 1020 [1 para 10 bilhões]) [8]. O geneticista Dr. Wolf-Ekkehard Lönnig, cientista Sênior (Biologia) do Instituto Max Planck, concluiu que as mutações não podem transformar uma espécie original em outra totalmente nova. Para ele, essa conclusão está de acordo com os resultados de todos os experimentos e estudos sobre mutações realizados no século XX, assim como com as leis da probabilidade. Portanto, as espécies devidamente definidas têm limites claros que as mutações acidentais não podem eliminar e nem transpassar [9].

A propósito, um estudo realizado por proponentes do design inteligente demonstrou que o problema do tempo de espera é um constrangimento significativo na macroevolução da espécie humana [10]. Esta afirmação apóia fortemente o trabalho anterior por Behe. Dito de forma simples, o problema é que não há tempo suficiente para a evolução estabelecer mesmo a mais simples quantidade de novas informações. Foram realizados experimentos de simulação numérica que simulam o processo de mutação/seleção para o surgimento de sequencias de nucleotídeos curtas em um modelo de população hominini. Os cálculos mostraram que, para tal população estabelecer uma seqüência de dois nucleotídeos seria necessário, em média, 84 milhões de anos. Uma sequencia de três nucleotídeos necessitaria de pelo menos 376 milhões de anos. Portanto, a teoria neodarwinista falhou em explicar a origem de nova informação genética na evolução humana a partir de homininis em um espaço de tempo de 6-7 milhões de anos.

Mas o que vem a ser essa informação? Desde 1953, época em que se descobriu que a vida é composta de algo como uma seqüência alfabética, pesquisas revelaram que essa mesma sequencia transmite um significado específico da mesma forma que o código alfabético o faz [11, 12]. Uma visão simples, porém poderosa do design inteligente é mostrar que a informação codificada, seja em um livro, um post de blog, ou uma molécula de DNA, invariavelmente deriva de um arranjo intencional de caracteres [13]. E, intenção, é design. David Baltimore, biólogo molecular americano, ganhador do prêmio Nobel em medicina em 1975, afirmou: “A biologia moderna é uma ciência de informação” [14].

A TDI, por sua vez, ao considerar a informação complexa especificada encontrada no DNA como sendo um dos sinais de inteligência empiricamente detectados na natureza, também é uma teoria de informação [15-17]. A TDI percebe no DNA, por exemplo, um verdadeiro disco rígido, onde um grama de DNA pode armazenar até 455 exabytes de informação (codificada, criptografada e zipada), humilhando qualquer tecnologia humana atual [17, 18]. Vale lembrar que, o DNA não produz informação, nem por si só é informação, ele apenas a armazena. Então, qual a origem da informação (imaterial) guardada pelo DNA? Para a TDI, a informação é produto de uma mente inteligente.

Sendo assim, a TDI é a melhor explicação plausível para a informação complexa especificada na natureza − principal objeto de estudo para a biologia moderna. Por outro lado, a evolução está contemplando a falência do paradigma neodarwinista. Em 2001, o Discovery Institute lançou uma lista de cadastro contendo centenas de cientistas com doutorado – hoje mais de 900 pesquisadores – que se mostraram dispostos a expressar publicamente o ceticismo em relação à visão darwiniana, tradicional e moderna, de como a vida teria se desenvolvido ao longo do tempo.

Essa lista, A Scientific Dissent from Darwin, é uma pedra no sapato daqueles que dizem que não há debate científico sobre se a evolução funciona de uma forma completamente natural. A lista desafia o princípio mais básico da teoria darwiniana moderna (também chamada de neodarwinismo) – a visão de que mutação aleatória e seleção natural são as principais forças que geram a complexidade adaptativa em organismos vivos. Porém, ao invés de criticar a teoria moderna da evolução, a lista foca em seus desafios para os mecanismos biológicos mais importantes.

Atualmente, já assinaram a lista doutores pelas seguintes instituições de ensino: Oxford, Cambridge, Harvard, Dartmouth, Rutgers, Universidade de Chicago, Stanford e da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Também assinaram a lista professores ou pesquisadores das principais universidades e instituições de pesquisa do mundo, tais como Cambridge, Princeton, MIT, UCLA, Universidade da Pensilvânia, Universidade da Geórgia, Tulane, Universidade Estadual de Moscou, Insituto de Chitose da ciência e da tecnologia, no Japão, e Universidade Ben-Gurion, do Negev, em Israel. Portanto, se você possui um mestrado (e atua como professor de medicina), ou já obteve seu doutorado em qualquer área e quer, de igual modo, se declarar publicamente cético em relação ao darwinismo, clique aqui e assine a lista.

Mas o movimento de dissidência científica do neodarwinismo não parou por aí. Em julho de 2008 aconteceu o encontro de Altenberg, também conhecido como “Os 16 de Altenberg”, um simpósio realizado no Instituto Konrad Lorenz (Konrad Lorenz Institute for Evolution and Cognition Research), em Altenberg, Áustria, com a participação de 16 cientistas evolucionistas para discutir problemas fundamentais da Síntese Evolutiva Moderna, e a necessidade de revisá-la [19]. Nesse simpósio os cientistas enfatizaram a insuficiência de explicar a evolução através da seleção natural ao dizer que “há muito não explica” e “é insuficiente para explicar a nossa existência”. Ao final do simpósio, o grupo de cientistas propôs a tão discutida “Síntese Evolutiva Estendida/Ampliada”, que não será selecionista (isto é, a seleção natural será relegada a um papel secundário). Como bem afirmou a bióloga evolucionista Lynn Margulis (In memoriam), “a seleção natural elimina, e talvez mantenha, mas ela não cria” [20: p.68].

No Brasil, desde 1998 o historiador da ciência Enézio Eugênio de Almeida Filho vinha expondo a falência epistêmica da teoria da evolução de Darwin através da seleção natural junto às editorias de ciência e com alguns jornalistas científicos de renome. Para ele, essa mudança era um ruído óbvio, pois “até Darwin, já em 1859 considerava a seleção natural um mecanismo muito importante, mas não o único mecanismo evolutivo” [21]. Agora é esperar até 7-9 de novembro de 2016, data em que a Royal Society (mais antiga sociedade científica do mundo) realizará um encontro em Londres para discutir a mudança paradigmática em Evolução [22], e até 2020, ano que a Síntese Evolutiva Ampliada será anunciada. Enquanto isso permanece um enorme vácuo teórico na biologia evolutiva que, a propósito, continuará sendo ensinada nas salas de aula como se nada tivesse ocorrido.

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Link para o original: Facebook

Nota: Este é um capítulo do eBook: “Teoria do Design Inteligente: evidência científicas no campo das ciências biológicas e da saúde“.

REFERÊNCIAS:

[1] Dobzhansky T. Biology, Molecular and Organismic. American Zoologist 1964; 4: 443-452.

[2] Burnett T. What is Scientism? BioLogos. (Jun 11, 2012). [Link]

[3] Special Section. What don’t we know? Science. 2005; 309(5731):78-102. [Link]

[4] Dembski WA. The Design Revolution: Answering the Toughest Questions About Intelligent Design.  Downers Grove, IL: IVP Books, 2004.

[5] Haldane JBS. [Book review] The Truth About Death: The Chester Beatty Research Institute Serially Abridged Life Tables, England and Wales, 1841-1960. J. Genet. 1963; 58(3):463-464. [Link]

[6] Almeida Filho, EE. A convenção do Wistar Institute de 1966 era para ter jogado a Síntese Evolutiva Moderna na lata de lixo da História da Ciência. Desafiando a Nomenklatura Científica, 2010. [Link]

[7] Eden M. Inadequacies of neo-Darwinian evolution as a scientific theory. Wistar Inst Symp Monogr. 1967; 5:109-11. [Link]

[8] Behe MJ. Waiting Longer for Two Mutations. Genetics. 2009; 181(2): 819–820.

[9] Lönnig WE. Mutation breeding, evolution, and the law of recurrent variation. Recent Res. Devel. Genet. Breeding, 2(2005): 45-70. [Link]

[10] Sanford J, Brewer W, Smith F, Baumgardner J. The waiting time problem in a model hominin population. Theor Biol Med Model. 2015 Sep 17;12:18.

[11] Watson JD, Crick FH. Molecular structure of nucleic acids; a structure for deoxyribose nucleic acid. Nature. 1953 Apr 25;171(4356):737-8.

[12] Ji S. The linguistics of DNA: words, sentences, grammar, phonetics, and semantics. Ann N Y Acad Sci. 1999 May 18;870:411-7.

[13] Klinghoffer D. Introducing the Information Enigma — Intelligent Design in a Nutshell. Evolution News and Views, 2015. [Link]

[14] Baltimore D. 50,000 Genes, and We Know Them All (Almost). The New York Times, 2000. [Link]

[15] Dembski WA. Intelligent Design as a Theory of Information. In:
“Naturalism, Theism and the Scientific Enterprise” conference at the University of Texas, Austin, February 22, 1997. [Link]

[16] Dembski WA. The Design Inference: Eliminating Chance Through Small Probabilities. Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2000.

[17] Almeida Filho EE. A engenharia do DNA para o armazenamento de informação digital a longo prazo: mero acaso, fortuita necessidade ou design inteligente? Desafiando a Nomenklatura Científica, 2015. [Link]

[18] Church GM, Gao Y, Kosuri S. Next-Generation Digital Information Storage in DNA. Science. 2012; 337(6102):1628.

[19] Mazur S. The Altenberg 16: An Exposé of the Evolution Industry. Berkeley, CA: North Atlantic Books, 2010.

[20] Entrevista concedida por Lynn Margulis. Discover Interview: Lynn Margulis Says She’s Not Controversial, She’s Right. Entrevistador: Dick Teresi. Discover magazine, 2011. [Link]

[21] Almeida Filho EE. Olha os 16 de Altenberg aí, gente! Desafiando a Nomenklatura científica, 2009. [Link]

[22] Mazur S. Royal Society Meeting to Discuss Evolution Paradigm Shift, What That Means for Science and for All. The HuffingtonPost (25 dez. 2015). [Link]


About Everton Alves 21 Articles
Mestre em Ciências (Imunogenética) pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Pós-graduando em Biotecnologia (Biologia molecular) pela mesma Universidade. Autor de dezenas de publicações em diversos periódicos científicos na área Biomédica. Membro da Sociedade Brasileira do Design Inteligente (SBDI) e autor do livro "Teoria do Design Inteligente: evidências científicas no campo das ciências biológicas e da saúde". É membro fundador do Núcleo Maringaense da SCB (Numar-SCB) e ex-Diretor de Ensino do Núcleo (2015-2017). A frente do Departamento de Ensino, foi o Idealizador/coordenador do Programa "Diálogo sobre as Origens" (2016-2017). Atualmente, é Cofundador e Editor-chefe da Origem em Revista.

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