X-Club, Estratégia da Cunha e a Liberdade Acadêmica

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O “Livre Pensamento”: só se for tão homogêneo quando pode ser.

Dedicado a Olavo de Carvalho

Enquanto Erasmus Darwin pertencia ao inofensivo clube de lunáticos (Sociedade Lunar), a nova geração possuía tendências fortemente ideológicas e criou o X-Club para defender o darwinismo e a “liberdade acadêmica”. “Liberdade” essa que temos hoje, com monopólio das publicações, rejeição e retirada de artigos contrários às ideias evolutivas.

Thomas Huxley, um dos principais do X-Club, tratou de substituir e desfavorecer todos que pensavam diferente da cosmovisão a ser estabelecida. A ocupação dos departamentos foi de “assalto”, “coincidentemente”* com outras correntes que podemos chamar “progressistas”, como marxistas e positivistas. Enquanto uns ocupavam os departamentos de humanas, outros ocupavam os departamentos de naturais e todos possuíam em comum a sanha de suprimir a metafísica tradicional, que zelava pelo conhecimento, e substituí-la por suas concepções de materialismo ingênuo.

O ativismo ideológico de Huxley era constante e obstinado, sem saber o que constituía um organismo vivo, tentava convencer todos da origem espontânea da vida. Louis Pasteur não repetiu o experimento da geração espontânea em 1862 ao acaso, ele estava respondendo diretamente ao ativismo de Huxley sobre a origem da vida (isso apenas 3 anos após da publicação do Origem das Espécies). Esses fatos nos são apresentados desassociados por omissões históricas estratégicas. Nem Huxley e nem ninguém sabia exatamente o que era a vida, mas a distribuição de promissórias sobre o tema tinha a finalidade de assumir o monopólio da explicação pelo volume de narrativas.

Apesar da forte propaganda, a maioria da comunidade científica na época reconheceu a insuficiência do sucesso reprodutivo diferencial (a seleção natural do darwinismo) ser responsável por todo o design biológico, o argumento perdeu força e mergulhou no Eclipse Darwiniano por décadas. Entretanto, o ativismo ideológico permaneceu firme e crescente. A semente iria germinar e gerar frutos em um terreno fértil de concepções cientificistas ingênuas, reescrita histórica e viés confirmatório.

Os críticos do Design Inteligente falam da Estratégia da Cunha como algo “criminoso”, mas ninguém enfrenta seu autor, Phillip E. Johnson, sobre isso: ele conhece bem a história e natureza do ativismo ideológico e a diferença substancial com relação a sua estratégia. Johnson não foi mal intencionado, ele confiava na teoria formulada. Por isso a estratégia era: apresentar a teoria, divulgar em confronto aberto e depois estabelecer sua cosmovisão. Agora, deveria ele trabalhar assiduamente por cada cargo sorrateiramente, obtendo os departamentos aos poucos, e suprimir as ideias divergentes? Uma teoria verdadeira precisa disso? É realmente um caminho rápido para formar os professores que educarão as próximas gerações na sociedade e da própria Academia. Huxley está de “parabéns” em termos de sucesso. Mas somente um ideólogo consegue ser tão vil. O confronto de ideias (dialética), essência da filosofia e da ciência, foi substituído por estratégias de supressão e esquecimento.

Huxley, valendo-se do prestígio de “salvar a sociedade da ignorância” (uma ideia de senso comum associada a esses ideólogos por indução deles mesmos), revelou suas estratégias como se fossem algo nobre. Esse descaramento se deve a algo chamado de guerra assimétrica: apenas um dos lados tem aval para fazer o que bem entender para o “mundo melhor” e “progresso da humanidade” sendo glorificado por isso, o outro lado é condenável até em seus melhores atos em qualquer circunstância.

Bom, fiquei sabendo que algumas instituições começaram a substituir e rejeitar professores com essas tendências ideológicas. É tarde, mas justo, porque até agora era uma guerra assimétrica. A sociedade também vem percebendo e reagindo as correntes ideológicas que estavam encobertas por nossa ignorância sobre elas. Infelizmente é impossível permanecer na neutralidade diante de supostos “livres pensadores”, que de “livres” apresentam apenas as ações para impor suas agendas ideológicas – “os fins justificam os meios”. São tendenciosos e se arvoram como réguas da razão, da verdade, da imparcialidade e como “defensores da ciência” e do “progresso da humanidade”.

No geral, a melhor defesa contra as ideologias é a consciência de suas intenções e o conhecimento histórico.


* Sociedades de “livre pensamento”, origem, ações e controle social (áudio mp3)


Júnior Eskelsen
Sobre Júnior Eskelsen 229 Articles
Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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