{"id":5754,"date":"2019-02-26T01:15:43","date_gmt":"2019-02-26T04:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/tdibrasil.org\/?p=5754"},"modified":"2021-10-10T03:51:41","modified_gmt":"2021-10-10T06:51:41","slug":"nylonase-um-dos-melhores-argumentos-evolutivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tdibrasil.org\/index.php\/2019\/02\/26\/nylonase-um-dos-melhores-argumentos-evolutivos\/","title":{"rendered":"Nylonase \u2013 Um dos Melhores Argumentos Evolutivos"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_5826\" aria-describedby=\"caption-attachment-5826\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5826\" src=\"https:\/\/tdibrasil.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/nylonase.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"410\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5826\" class=\"wp-caption-text\"><center>A nylonase por muito tempo foi o &#8220;argumento forte&#8221; de design surgindo do acaso.<\/center><\/figcaption><\/figure>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 hoje continuam algumas pessoas continuam afirmando que muta\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias criaram um &#8220;novo gene&#8221; em bact\u00e9rias que degradam o nylon\u00b9. Esta cren\u00e7a nasceu de um mal-entendido que foi popularizado pelo professor de biologia William Thwaites em 1985. Num <a href=\"https:\/\/ncse.com\/cej\/5\/2\/new-proteins-without-gods-help\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pequeno artigo<\/a> endere\u00e7ado aos criacionistas, e tamb\u00e9m alguns outros c\u00e9ticos, ele afirma no t\u00edtulo: &#8220;Novas prote\u00ednas sem ajuda de Deus&#8221;. A ideia \u00e9\u00a0que a atividade enzim\u00e1tica surgiu de uma muta\u00e7\u00e3o <em>frameshift<\/em> &#8211; portanto, pura aleatoriedade. Isso, entretanto, baseava-se na especula\u00e7\u00e3o do geneticista japon\u00eas Susumu Ohno. Tal fen\u00f4meno seria de fato ao acaso.<\/p>\n<p>Em sua <a href=\"https:\/\/ncse.com\/cej\/5\/2\/new-proteins-without-gods-help\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">conclus\u00e3o<\/a>,\u00a0Thwaites exp\u00f5e todos que questionavam o poder darwiniano na \u00e9poca:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso demonstra que Yockey (1977a eb), Hoyle e Wickramasinghe (1981), os criacionistas (Gish, 1976) e outros deveriam saber mais est\u00e3o completamente errados sobre a probabilidade quase zero de forma\u00e7\u00e3o de uma nova enzima.\u00a0As macromol\u00e9culas biologicamente \u00fateis n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o ricas em informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o poderiam se formar espontaneamente sem a ajuda de Deus.\u00a0Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a ajuda de culturas extraterrestres para a sua forma\u00e7\u00e3o.\u00a0Com essa informa\u00e7\u00e3o em m\u00e3os, podemos nos perguntar como os criacionistas podem t\u00e3o dogmaticamente insistir que a vida n\u00e3o poderia ter sido iniciada por processos naturais aqui mesmo na Terra.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Yockey, Hoyle e Wickramasinghe s\u00e3o grandes nomes da ci\u00eancia e c\u00e9ticos quanto ao poder darwiniano. Dos citados nominalmente, apenas\u00a0Wickramasinghe est\u00e1 vivo hoje, Hoyle faleceu em 2001, Gish em 2013 e Yockey em 2016. Todos foram pressionados por algumas d\u00e9cadas a aceitar essas conclus\u00f5es, mas n\u00e3o se dobraram. Por qu\u00ea? Porque eles n\u00e3o eram t\u00e3o ing\u00eanuos a ponto de aceitar algo contraintuitivo que n\u00e3o pudesse ser ao menos delineado. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre muito obscuras e incertas, como s\u00e3o muitas das explica\u00e7\u00f5es evolutivas at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00e3o, menor ignor\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dos poucos dados, e incompletos, os cr\u00edticos do darwinismo lan\u00e7aram cr\u00edticas nos anos 2000, quando o debate voltou a se acirrar. Algumas dessas cr\u00edticas foram justificados nas descobertas dos anos subsequentes. Uma pesquisa publicada 2007 descobriu que a principal enzima que degrada o nylon n\u00e3o surgiu &#8220;pronta&#8221; de uma muta\u00e7\u00e3o de deslocamento de quadro (<em>frameshift<\/em>). As revis\u00f5es na sequ\u00eancia reconheceram que o gene <em>nylB<\/em>, que codifica a principal enzima degradadora de nylon em discuss\u00e3o, tem origem em um gene existente (<em>nylB&#8217;<\/em>) que codifica uma prote\u00edna que j\u00e1 possu\u00eda alguma atividade enzim\u00e1tica para degradar compostos de nylon. A enzima era uma <em>carboxilesterase<\/em> com uma dobra particular de <em>\u03b2-lactamases<\/em> podendo se &#8220;encaixar&#8221; e degradar o nylon naturalmente. Em raz\u00e3o do nylon ser uma fibra sint\u00e9tica, pensava-se que nenhuma enzima natural seria capaz de degrad\u00e1-lo. Acontece que a liga\u00e7\u00e3o amida b\u00e1sica do nylon \u00e9 exatamente a mesma das prote\u00ednas, comum nos seres vivos e, portanto, n\u00e3o \u00e9 de surpreender que uma enzima existente possa degradar o nylon de alguma forma.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5797\" aria-describedby=\"caption-attachment-5797\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5797 size-full\" src=\"https:\/\/tdibrasil.org\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/nyanim.gif\" alt=\"\" width=\"310\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5797\" class=\"wp-caption-text\"><center>Altera\u00e7\u00e3o no s\u00edtio catal\u00edtico da enzima.<br \/>Anima\u00e7\u00e3o meramente ilustrativa.<\/center><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os &#8220;divulgadores cient\u00edficos&#8221; e a m\u00eddia popular tentaram encontrar uma maneira de explicar isso evolutivamente, mas as explica\u00e7\u00f5es iniciais, baseadas em conhecimento incompleto e suposi\u00e7\u00f5es, estavam totalmente erradas. Um dos principais artigos neste caso, de <a href=\"https:\/\/europepmc.org\/abstract\/med\/17512009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Negoro e colaboradores (2007)<\/a>, afirma: \u201cOs modelos atuais ilustram porque a nova atividade sobre o &#8230; nylon evoluiu em uma esterase com dobras de \u03b2-lactamase, mantendo as fun\u00e7\u00f5es <em>esterol\u00edticas<\/em> originais.\u201d. Assim, isso envolveu ligeira varia\u00e7\u00e3o de uma enzima existente, n\u00e3o algo completamente novo e ao acaso (como a alegada muta\u00e7\u00e3o <em>frameshift<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas como o gene original alcan\u00e7ou aumento da atividade sobre o nylon? A pesquisa mostrou que isso envolveu a substitui\u00e7\u00e3o de apenas dois amino\u00e1cidos (aumentando em 153 vezes a atividade). As muta\u00e7\u00f5es n\u00e3o precisaram acontecer em sequ\u00eancia, porque est\u00e3o em uma mesma <a href=\"https:\/\/tdibrasil.org\/index.php\/2019\/02\/25\/as-ilhas-funcionais-de-axe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ilha funcional<\/a> e assim podem acumular muta\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis gradualmente. Se fossem necess\u00e1rias duas muta\u00e7\u00f5es em sequ\u00eancia, o evento seria muito dif\u00edcil como Michael Behe <a href=\"https:\/\/tdibrasil.org\/index.php\/2019\/02\/14\/uma-inferencia-fundamental-do-limite-da-evolucao-foi-confirmada-agora-experimentalmente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">demonstrou<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As liga\u00e7\u00f5es de nylon atacadas pela enzima <em>nylB<\/em> s\u00e3o semelhantes \u00e0s liga\u00e7\u00f5es amida nas prote\u00ednas, assim, n\u00e3o \u00e9 de forma alguma surpreendente que uma ligeira varia\u00e7\u00e3o em uma enzima existente, que j\u00e1 atua em liga\u00e7\u00f5es amida, possa variar at\u00e9 degradar liga\u00e7\u00f5es similares no nylon. As <em>carboxilesterases<\/em> introduzem uma mol\u00e9cula de \u00e1gua para quebrar as liga\u00e7\u00f5es amida ou \u00e9ster.\u00a0O nylon \u00e9 uma &#8220;poliamida&#8221; e, portanto, est\u00e1 entre as mol\u00e9culas que podem ser degradadas por <em>carboxilesterases<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Quadro hist\u00f3rico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhando para o passado, os artigos e discuss\u00f5es, n\u00f3s vemos a precipita\u00e7\u00e3o para conclus\u00f5es favor\u00e1veis ao cen\u00e1rio evolutivo por parte dos darwinistas e, por outro lado, a cautela em concluir qualquer coisa na aus\u00eancia de dados pelos cr\u00edticos da evolu\u00e7\u00e3o. Podemos ver, por exemplo, que <a href=\"https:\/\/uncommondescent.com\/evolution\/why-scientists-should-not-dismiss-intelligent-design\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dembski (2005)<\/a> considera o que eles dizem e, tentando compreender o processo para avaliar se era um caso de <em>frameshift<\/em> mesmo, pede ajuda\u00a0para a comunidade do Design Inteligente sobre mais informa\u00e7\u00f5es acerca da origem da enzima:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como um aparte, a fun\u00e7\u00e3o do gene original (antes de se transformar em uma <em>nylonase<\/em>) parece desconhecida (<strong>eu ficaria grato<\/strong> por qualquer <em>insight<\/em> aqui). O <strong>artigo original sugeria<\/strong> que era improv\u00e1vel que o gene original codificasse uma enzima funcional devido \u00e0 aus\u00eancia dos amino\u00e1cidos normalmente encontrados nas enzimas ativas, ent\u00e3o talvez tenha desempenhado algum papel estrutural que n\u00e3o era cr\u00edtico para a c\u00e9lula (n\u00e3o foi feita nenhuma men\u00e7\u00e3o se o gene original foi um duplicado).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>At\u00e9 mesmo criacionistas concederam muito, na aus\u00eancia de qualquer informa\u00e7\u00e3o, como <a href=\"https:\/\/creation.com\/nylonase-update\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Don Batten<\/a>:<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em minha resposta original, em 2003, aceitei, pela primeira vez, a antiga alega\u00e7\u00e3o dos pesquisadores de que as enzimas que degradam o nylon eram <em>de novo<\/em> (surgida sem rela\u00e7\u00e3o com qualquer outra estrutura). Eles basearam essa alega\u00e7\u00e3o em n\u00e3o ter encontrado um gene que fosse suficientemente similar para ser a fonte. No entanto, isso n\u00e3o era verdade. Como dito acima, os trabalhos subsequentes mostram que eles foram derivados de enzimas existentes e que a categoria existente de atividade enzim\u00e1tica permaneceu [provavelmente com menor atividade<sup>Nota<\/sup>], apenas que a liga\u00e7\u00e3o para o novo substrato \u00e9 possibilitada por um par de pequenas mudan\u00e7as. Ent\u00e3o, na minha resposta original eu concordei demais com a vis\u00e3o evolutiva. Eu deveria ter conhecido melhor e aplicado circunstancialmente o ad\u00e1gio que &#8220;a aus\u00eancia de evid\u00eancia n\u00e3o \u00e9 necessariamente evid\u00eancia de aus\u00eancia&#8221;. Reivindica\u00e7\u00f5es grandiosas de evolucionistas nunca devem ser aceitas pelo seu valor aparente, mesmo quando parecem completamente genu\u00ednas. <strong>Precisamos verificar tudo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; font-size: 12px;\"><strong>Nota (editor):<\/strong>\u00a0parece que h\u00e1 uma tend\u00eancia da atividade original diminuir conforme a atividade sobre o nylon aumenta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Ainda sobre as Ilhas Funcionais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa plasticidade das enzimas \u00e9 suportada em qualquer modelo, inclusive exemplifica bem a ideia de <a href=\"https:\/\/tdibrasil.org\/index.php\/2019\/02\/25\/as-ilhas-funcionais-de-axe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ilha funcional<\/a>. Por exemplo, n\u00e3o existe degrada\u00e7\u00e3o de compostos que n\u00e3o tenham algo semelhante sendo degradado. Alguma atividade catal\u00edtica inicial deve existir para a possibilidade de varia\u00e7\u00f5es ajustarem o processo, mas sem atividade catal\u00edtica n\u00e3o h\u00e1 nada para ajustar. Uma atividade catal\u00edtica nova exige uma enzima <em>de novo<\/em>, n\u00e3o apenas pequenas modifica\u00e7\u00f5es das existentes e, portanto, isso est\u00e1 fora do alcance dos processos naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enfim, a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 muito poderosa na imagina\u00e7\u00e3o, ela cria toda a diversidade biol\u00f3gica, desde os orangotangos aos cangurus, mas na vida real precisa interpretar uma ligeira varia\u00e7\u00e3o como uma enzima inteira surgindo por acaso.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify; font-size: 12px;\"><strong>Nota\u00b9:<\/strong>\u00a0nylon &#8220;traduzido&#8221; para o portugu\u00eas, &#8220;aportuguesado&#8221;, ficou &#8220;n\u00e1ilon&#8221;, e isso \u00e9 t\u00e3o que me reservo o direito de n\u00e3o usar esse termo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A nylonase deriva de alguma prote\u00edna que j\u00e1 possu\u00eda alguma atividade enzim\u00e1tica para degradar nylon. 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