{"id":3532,"date":"2018-02-21T18:11:35","date_gmt":"2018-02-21T21:11:35","guid":{"rendered":"http:\/\/tdibrasil.org\/?p=3532"},"modified":"2021-10-10T03:51:14","modified_gmt":"2021-10-10T06:51:14","slug":"mais-codigos-secretos-no-dna-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tdibrasil.org\/index.php\/2018\/02\/21\/mais-codigos-secretos-no-dna-lixo\/","title":{"rendered":"Mais C\u00f3digos Secretos no &#8220;DNA Lixo&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3533\" aria-describedby=\"caption-attachment-3533\" style=\"width: 596px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/tdibrasil.org\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/actin-filaments-596x313.jpg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"313\" class=\"size-large wp-image-3533\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-3533\" class=\"wp-caption-text\"><center>Cientistas descobrem as coisas mais interessantes quando eles suspeitam de fun\u00e7\u00e3o em partes mal compreendidas do genoma, em vez de releg\u00e1-las ao monte de lixo como in\u00fateis. Eis aqui dois exemplos recentes.<\/center><\/figcaption><\/figure>\n<hr \/>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:<\/strong> En\u00e9zio Eug\u00eanio de Almeida Filho<\/p>\n<p><strong>C\u00f3digo silencioso em a\u00e7\u00e3o na actina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA actina \u00e9 uma prote\u00edna intracelular essencial e abundante que desempenha um papel importante na morfog\u00eanese do desenvolvimento, contra\u00e7\u00e3o muscular, migra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas, e homeostase celular\u201d, disse Vedula et al. em um artigo na publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica eLife. Uma prote\u00edna importante dessas chama a nossa aten\u00e7\u00e3o. Como que ela desempenha tantas fun\u00e7\u00f5es diferentes? O que governa a destina\u00e7\u00e3o e atividade das diferentes diferentes formas de actina?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo parece um hist\u00f3ria de detetive cient\u00edfico. Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Pensilv\u00e2nia e dos Institutos Nacionais de Sa\u00fade dos Estados Unidos queriam saber por que duas formas de actina (isoformas) s\u00e3o quase indistingu\u00edveis em termos de sua sequ\u00eancia (exceto para quatro amino\u00e1cidos em uma extremidade), mas realizam fun\u00e7\u00f5es muito diferentes na c\u00e9lula. Eles tamb\u00e9m acharam intrigante que essas isoformas, \u03b2-actina e \u03b3-actina, s\u00e3o codificadas por genes diferentes, mas terminam parecendo muito semelhantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos divulgar a conclus\u00e3o no t\u00edtulo do artigo: \u201cDiversas fun\u00e7\u00f5es das isoformas hom\u00f3logas de actina s\u00e3o definidas por seus nucleot\u00eddeos, em vez de sua sequ\u00eancia de amino\u00e1cido.\u201d:<\/p>\n<p><center><\/p>\n<div style=\"width:90%\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui nos testamos a hip\u00f3tese que as fun\u00e7\u00f5es da \u03b2- e \u03b3-actina <strong>s\u00e3o definidas por seus nucleot\u00eddeos, em vez de sua sequ\u00eancia de amino\u00e1cido<\/strong>, usando a edi\u00e7\u00e3o dirigida do genoma de camundongo. Embora pesquisas pr\u00e9vias t\u00eam revelado que a ruptura do gene \u03b2-actina impacta criticamente a migra\u00e7\u00e3o da c\u00e9lula e a embriog\u00eanese de camundongo, n\u00f3s demonstramos aqui que a gera\u00e7\u00e3o de um camundongo sem a prote\u00edna \u03b2-actina pela edi\u00e7\u00e3o do gene \u03b2-actina para codificar a prote\u00edna \u03b3-actina, e vice-versa, n\u00e3o afeta a migra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas e\/ou a sobreviv\u00eancia do organismo. <strong>Nossos dados sugerem que o essencial na fun\u00e7\u00e3o in vivo da \u03b2-actina \u00e9 fornecido pela sequ\u00eancia do gene independente da isoforma de prote\u00edna codificada<\/strong>. Nos propomos que <strong>esta regula\u00e7\u00e3o constitu\u00ed um mecanismo global de <em>\u2018c\u00f3digo silencioso\u2019<\/em> que controla a diversidade funcional das isoformas de prote\u00ednas<\/strong>. [\u00canfase adicionada.]\n<\/div>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bons e antigos experimentos controlados, usando a ferramenta de edi\u00e7\u00e3o CRISPR, revelaram que a edi\u00e7\u00e3o do gene de uma forma produzia c\u00f3pias funcionais de outra forma. Camundongos que tinha genes defeituosos para \u03b3-actina podiam ser salvos pela edi\u00e7\u00e3o do gene \u03b2-actina para produzir \u03b3-actina. Tudo que eles tiveram que fazer foi editar cinco nucleot\u00eddeos para produzir camundongos sadios sem nenhuma \u03b2-actina, muito embora pr\u00e9vios experimentos de desativa\u00e7\u00e3o mostraram que camundongos sem o gene \u03b2-actina morrem no in\u00edcio do desenvolvimento. Como isso podia ser?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Experimentos posteriores sugeriram que n\u00e3o \u00e9 a sequ\u00eancia de amin\u00e1cido resultante que determina a fun\u00e7\u00e3o, mas substitui\u00e7\u00f5es \u201csilenciosas\u201d no gene. Algo no gene \u03b2-actina estava regulando o resultado em um modo diferente, muito embora gerasse somente \u03b3-actina. A isoforma \u03b3-actina foi para onde o \u03b2-actina normalmente ia, e realizou sua fun\u00e7\u00e3o como se fosse o \u03b2-actina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores destacam que diferentes isoformas de actinas podem ter densidades de ribossomas muito diferentes, diferindo em at\u00e9 mil vezes. No citoplasma, algumas isoformas podem compensar por outras isoformas. Esta combina\u00e7\u00e3o fornece flexibilidade para a c\u00e9lula na maioria dos casos:<\/p>\n<p><center><\/p>\n<div style=\"width:90%\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes resultados sugerem que <strong>a isoforma actina com densidade de ribossomo similar pode plausivelmente compensar a perda de uma das isoformas<\/strong>. Em conformidade, considerando-se as ordens de grandeza de diferen\u00e7a na densidade do ribossomo entre a \u03b2-actina e outras isoformas de actinas, <strong>nenhuma das outras isoformas de actinas podem compensar a perda da \u03b2-actina<\/strong>. N\u00f3s propomos que as mudan\u00e7as na densidade de ribossomo surgindo de substitui\u00e7\u00f5es silenciosas na sequ\u00eancia de nucleot\u00eddeo, <strong>afeta a din\u00e2mica de tradu\u00e7\u00e3o e a acumula\u00e7\u00e3o de taxas de prote\u00ednas<\/strong> que, por sua vez, <strong>regula a diversidade funcional<\/strong> das actinas.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os autores pensam que este tipo de \u201cc\u00f3digo silencioso\u201d pode estar funcionando tamb\u00e9m em outras fam\u00edlias de prote\u00ednas. A palavra \u201cc\u00f3digo\u201d est\u00e1 presente por todo este artigo. Em outro caso, eles descrevem o direcionamento de uma isoforma de actina \u00e0 periferia da c\u00e9lula pelo que eles chamaram de \u201ctransporte mediado por c\u00f3digo de endere\u00e7amento\u201d. Eles t\u00eam mais a dizer sobre codifica\u00e7\u00e3o do que evolu\u00e7\u00e3o, na verdade, exceto em um par\u00e1grafo onde eles invocam a desculpa darwinista comum de que um gene essencial tende a ser conservado contra altera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><center><\/p>\n<div style=\"width:90%\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do fato que os genes n\u00e3o musculares de isoformas de actina tenha <strong>divergido evolucionariamente > 100  milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, eles retiveram extraordin\u00e1ria conserva\u00e7\u00e3o de sequ\u00eancia, muito mais alta do que seria esperada se as substitui\u00e7\u00f5es sin\u00f4nimas em sua sequ\u00eancia de codifica\u00e7\u00e3o fossem completamente randomizadas<\/strong>. (Erba et al., 1986). Isto \u00e9 com a nossa ideia de que a <strong>sequ\u00eancia de codifica\u00e7\u00e3o<\/strong> da isoforma de actina <strong>existe sob press\u00e3o evolucion\u00e1ria adicional, melhor do que a esperada conserva\u00e7\u00e3o da sequ\u00eancia de amino\u00e1cidos<\/strong>. N\u00f3s propomos que, pelo menos, alguma dessa press\u00e3o <strong>destina-se manter a din\u00e2mica de tradu\u00e7\u00e3o divergente dentro da fam\u00edlia de actina, a fim de conduzir suas fun\u00e7\u00f5es divergentes<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todavia, parece que a pesquisa de design inteligente poderia ser mais produtiva em estudos de acompanhamento. Eles conclu\u00edram, \u201cMais an\u00e1lises sistem\u00e1ticas de desativa\u00e7\u00e3o de isoformas hom\u00f3logas permitiriam estabelecer a universalidade do \u2018c\u00f3digo silencioso.\u2019\u201d<\/p>\n<p><strong>Mat\u00e9ria escura em seu c\u00e9rebro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma termo mais apropriado para \u201cDNA lixo\u201d pode ser \u201cmat\u00e9ria escura\u201d \u2014 sequ\u00eancias que ainda n\u00e3o s\u00e3o compreendidas. A <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-018-00920-x\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">Nature News<\/a> ilustra um bom uso desta met\u00e1fora em um artigo, \u2018Dark matter\u2019 DNA influences brain development [DNA &#8216;Mat\u00e9ria escura&#8217; influencia o desenvolvimento do c\u00e9rebro].  Amy Maxmen escreveu, \u201cFinalmente os pesquisadores est\u00e3o compreendendo o <strong>prop\u00f3sito<\/strong> por tr\u00e1s de algumas sequ\u00eancias de genomas que s\u00e3o quase id\u00eanticos nos vertebrados.\u201d<\/p>\n<p><center><\/p>\n<div style=\"width:90%\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Um enigma colocado pelos segmentos de \u2018mat\u00e9ria escura\u2019 nos genomas \u2014 longo, fios enrolados de DNA s<strong>em fun\u00e7\u00f5es \u00f3bvias \u2014 tem incomodado<\/strong> os cientistas por mais de uma d\u00e9cada. Agora, uma equipe resolveu o enigma.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/center><\/p>\n<p><center><\/p>\n<div style=\"width:90%\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o dif\u00edcil tem se centralizado nas sequ\u00eancias de DNA que n\u00e3o codificam prote\u00ednas, e ainda assim permanecem id\u00eanticas por uma ampla variedade de animais. Ao deletar alguns desses \u2018elementos ultra conservados\u2019, os pesquisadores descobriram que <strong>essas sequ\u00eancias guiam o desenvolvimento do c\u00e9rebro pelo fino ajuste dos genes de codifica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para suspeitar que qualquer dos her\u00f3is deste artigo duvidam da teoria da evolu\u00e7\u00e3o. Mas um principal pesquisador de um novo artigo fez o que um bom cientista de design faria: continuar procurando por fun\u00e7\u00e3o at\u00e9 encontr\u00e1-la.<\/p>\n<p><center><\/p>\n<div style=\"width:90%\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados, publicados na Cell, edi\u00e7\u00e3o de 18 de janeiro, valida as hip\u00f3teses dos cientistas que <strong>especularam que todos os elementos ultra conservados s\u00e3o vitais para a vida<\/strong> \u2014 apesar do fato que <strong>os pesquisadores sabiam muito pouco sobre suas fun\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/center><\/p>\n<p><center><\/p>\n<div style=\"width:90%\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAs pessoas nos disseram que n\u00f3s dever\u00edamos ter esperado publicar at\u00e9 que n\u00f3s soub\u00e9ssemos o que elas faziam. Agora eu estou assim, cara, levou 14 anos para compreender isso\u201d<\/strong>, disse Gill Bejerano, um genomicista na Universidade Stanford na Calif\u00f3rnia, que descreveu os elementos ultra conservados em 2004.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que eles descobriram contraria as expectativas evolucion\u00e1rias, muito embora o artigo assuma a evolu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><center><\/p>\n<div style=\"width:90%\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Bejerano e seus colegas originalmente notaram que os elementos ultra conservados quando eles compararam o genoma humano aos de camundongos, ratos e galinhas, e <strong>descobriram 481 trechos de DNA que eram incrivelmente similares entre as esp\u00e9cies. Isso foi surpreendente, porque o DNA se modifica de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o \u2014 e essas linhagens animais tinham evolu\u00eddo independentemente por cerca de 200 milh\u00f5es de anos<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/center><\/p>\n<p><center><\/p>\n<div style=\"width:90%\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Genes que codificam prote\u00ednas tendem a ter relativamente poucas muta\u00e7\u00f5es porque se essas mudan\u00e7as perturbarem a prote\u00edna correspondente e o animal morrer antes de se reproduzir, o gene que sofreu muta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 passado adiante para a prole. <strong>Na base desta l\u00f3gica, alguns genomicistas conjecturaram que a sele\u00e7\u00e3o natural tinha, semelhantemente, erradicado as muta\u00e7\u00f5es nas regi\u00f5es ultra conservadas. Muito embora as sequ\u00eancias n\u00e3o codifiquem prote\u00ednas, eles pensaram, suas fun\u00e7\u00f5es devem ser t\u00e3o vitais que elas n\u00e3o podem tolerar imperfei\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/center><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m pode se perguntar qual fun\u00e7\u00e3o teve a evolu\u00e7\u00e3o darwinista nesta pesquisa? As expectativas estavam erradas, os resultados foram surpreendentes, e a equipe achou mais design do que previamente conhecido \u2014 a ponto de implicar em perfei\u00e7\u00e3o. A \u00fanica fala evolucion\u00e1ria soa como um dourar a p\u00edlula\/jogar confete para manter a narrativa preferida de ser falsificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mais informa\u00e7\u00e3o sobre o assunto cansativo do suposto lixo no genoma, vide o livro <a href=\"https:\/\/www.discoveryinstitutepress.com\/book\/the-myth-of-junk-dna\/\" rel=\"noopener noreferrer\" target=\"_blank\">The Myth of Junk DNA<\/a>, de Jonathan Wells.<\/p>\n<p>&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Ao deletar alguns desses \u2018elementos ultra conservados\u2019, os pesquisadores descobriram que essas sequ\u00eancias guiam o desenvolvimento do c\u00e9rebro pelo fino ajuste dos genes de codifica\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":3533,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[305,544],"class_list":["post-3532","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-traducao","tag-dna-lixo","tag-junk-dna"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v18.9 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Mais C\u00f3digos Secretos no &quot;DNA Lixo&quot; 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