O que é a Estase Morfológica?

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Opilião: de 410 milhões de anos atrás aos dias atuais / ©

Dedicado ao amigo Sodré Neto.

Na biologia moderna, a estase refere-se a ausência de mudança evolutiva significativa durante um longo período de tempo na história de uma espécie. A palavra “estase” significa algo como “estabilidade” ou “estagnação”. O termo “morfológico” se refere à forma, configuração ou estrutura das coisas e, neste contexto, dos organismos vivos. A estase é o padrão dominante no registro fóssil e, assim, um problema para a perspectiva evolutiva. Este problema é denominado “Paradoxo da Estase Morfológica”.

Os principais casos de “estase” são as formas de vida que aparecem no registro fóssil plenamente formadas e permanecem estáveis até sua extinção. As formas não extintas, isso é, as que convivem conosco hoje, são chamadas de “fósseis vivos”. Em eventos como a Explosão Cambriana, a maioria dos planos corporais aparece de forma abrupta. Esse surgimento abrupto é descontinuidade e contrasta com a ideia evolutiva. Essas características do registro fóssil carecem de uma explicação unânime, mas algumas propostas se destacam como o equilíbrio pontuado.

Equilíbrio pontuado

O equilíbrio pontuado propõe que, uma vez que as espécies aparecem no registro fóssil, a população se torna estável mostrando pouca mudança evolucionária para a maior parte de sua história geológica. Quando uma mudança evolutiva significativa ocorre, ela seria geralmente restrita a eventos raros e geologicamente rápidos . Cladogênese é o processo pelo qual uma espécie se divide em duas espécies distintas, ao invés de uma espécie gradualmente se transformando em outra.

Seria como se algum desequilíbrio ambiental causasse instabilidade nos sistemas biológicos, que por isso se desdobrassem em várias linhagens instáveis, assumindo configurações cada vez mais distintas no espaço morfológico (possibilidades), até novamente se “estabilizarem”. Por isso esses eventos seriam tão restritos, rápidos e as formas de vida parecem ter surgido abruptamente.

A Variabilidade Rápida das Espécies

A partir da observação das formas de vida recentes, o grande número de variedades em um intervalo muito pequeno de tempo contrasta com a estase em longos períodos de tempo. Isso é, a ideia que as mudanças se acumulam indefinidamente em novas formas de vida fica distante quando percebemos que as variações ocorrem dentro de limites estruturais dos organismo. As transformações superficiais não dão suporte a crença de mudanças profundas e graduais nos organismos (gradualismo darwiniano).

“Não existe gradualismo no registro fóssil […] O ‘equilíbrio pontuado’ foi inventado para descrever a descontinuidade […] Os críticos, inclusive os críticos criacionistas, estão certos em seu criticismo.” Lynn Margulis

Textos relacionados:


Scott Lidgard , Melanie Hopkins. Stasis. Oxford Bibliographies, 2015.


Junior Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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