Os Três Aspectos do Design

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Design estrutural, funcional e estético do cavalo-marinho / ©

O design biológico, como qualquer outro design, exibe três aspectos com causas distintas. Os três aspectos participam e até mesmo se sobrepõem em diversos casos. O aspecto funcional corresponde a tudo que desempenha algum papel em atividades no organismo ou sistema que participa. O aspecto estrutural corresponde a todas formas em um organismo ou sistema que configuram o seu “arcabouço”. O aspecto estético corresponde aos padrões que seguem os princípios relacionados a beleza como contraste, proporção, ordem, entre outros.

Os Três Aspectos do Design

A importância em distinguir os três aspectos aparece principalmente na busca da história causal correspondente, a razão dos padrões, que é onde surge o problema científico.

Design Funcional

O design funcional nos indica sempre uma finalidade prática, tal como “olhos para ver” ou “ouvidos para ouvir”. O pensamento evolutivo atual depende muito de explicações funcionalistas: as características devem ser vantajosas para justificar sua permanência e predominância nas populações. A ausência de vantagem adaptativa relevante é um problema permanente para os teóricos evolutivos.

Design Estrutural

O design estrutural é passivo, serve de suporte às atividades do design funcional. Os conjuntos de genes que determinam planos corporais, os próprios planos corporais, esqueletos, codificações, membranas e envoltórios, entre outros. Por exemplo, em uma perspectiva de pesquisa de origem da vida temos a divisão: metabolismo, informação e compartimentação. Enquanto os elementos de design funcional recaem na categoria “metabolismo”, os elementos de design estrutural estão em “compartimentação” e formalmente condicionando a “informação”.

Design Estético

Cavalo-marinho

O design estético é um problema antigo para explicações evolutivas. A proposta de seleção sexual, um tipo especial de seleção natural relacionado exclusivamente a interação reprodutiva, seria responsável pelo predomínio de características “exuberantes” em seres vivos compensando a seleção natural que descartaria esses “excessos” na luta pela sobrevivência.

Há respostas funcionalistas e estruturalistas para os padrões, mas não implicam necessariamente em uma cadeia causal evolutiva. De fato, há um papel estético em ornamentos para atrair relacionamentos dentro da espécie (especialmente nos ditos “animais sociais”, onde há forte interação dentro da espécie), também em mimetizar (imitar) outras espécies ou características nocivas para evitar predação, por exemplo.

Parte do design estético, tal como o estrutural, são explicitamente não-adaptativos e por isso estão à parte de explicações darwinistas. O problema cientifico do design biológico, estrutural e estético, pode ser visto no pequeno documentário Biologia do Barroco, que aborda padrões não-adaptativos.

Padrões não-adaptativos

… é difícil resistir a concluir que uma grande quantidade de plantas a ordem não serve para um fim adaptativo específico. Tome o número de pétalas em diferentes espécies de flores. Em muitas espécies, o número de pétalas frequentemente corresponde a um número de Fibonacci, por exemplo, sanguinária, oito; margarida-amarela, treze; margarida-shasta, vinte e um; e margarida do campo, trinta e quatro. Alguém insistiria seriamente que o número de pétalas em cada espécie é adaptativo?

Os aspectos de design podem estar sobrepostos, e isso importa muito na explicação causal. Os padrões estruturais e estéticos que desempenham algum papel na sobrevivência ou reprodução são facilmente incorporados em especulações clássicas. A verdade e falsidade dessas propostas às vezes é difícil, em outras o resultado foi desfavorável às narrativas evolutivas (como é o caso da girafa apresentado aqui).

Padrões não-adaptativos em rosa

Isso não significa que todo aspecto funcional seja adaptativo, como podemos ver nos casos de Complexidade Irredutível; mas que aspectos estruturais e estéticos que não participam do sucesso reprodutivo são necessariamente não-adaptativos.

O estruturalismo tenta explicar os padrões por restrições estruturais ou mesmo de leis naturais ou propriedades fisicoquímicas. Em alguns casos as explicações não são mutuamente exclusivas com o funcionalismo, o debate estruturalismo versus funcionalismo é antigo e começou dentro do criacionismo.

O estruturalismo sustenta que a combinação das restrições resultaria em “máscaras” adaptativas restringindo as formas de vida a manterem padrões de design no espaço de possibilidades que as variações ocorrem, como se fossem para planos básicos ou padrões primários subjacentes condicionando as configurações possíveis. Sinceramente penso que para o darwinismo fosse verdadeiro, esse estruturalismo deveria ser verdadeiro. Sem essas restrições o número de possibilidades torna o darwinismo exaustivo.

Apesar de muitos defensores do Design Inteligente sustentarem essa perspectiva, rejeitada por darwinistas por implicar em um design universal subjacente, eu considero que ela contrasta com os dados que indicam raros fatores condicionante e nenhuma tendência natural para formação de design.

Para entender mais o Estruturalismo e o Funcionalismo:

Para entender mais o Gradualismo:


Nota: A imagem destacada no inicio do texto foi obtida de um pequeno vídeo sobre o design estrutural e funcional do cavalo-marinho. Ele pode ser visto aqui.


Junior Eskelsen
Sobre Junior Eskelsen 228 Articles
Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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