O Coeficiente de Instabilidade Natural

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Noite Estrelada de Vincent van Gogh (1889)

Há na natureza um coeficiente de instabilidade que tende aumentar conforme a redução das restrições¹ sobre um sistema. Os graus de liberdade são inversamente proporcionais ao número de restrições.

A liberdade de um sistema está associada a ausência de restrições. As leis naturais, por exemplo, impõe limites às transformações naturais. Logo, quanto menor o efeito das leis naturais em um sistema, maior a sua liberdade em relação a elas. Ainda há outros fatores alheios às leis naturais que podem restringir os sistemas. As leis e esses outros fatores, por outro lado, garantem regularidade. Podemos dizer que a estabilidade de um sistema sempre está associada a algumas restrições. Em algum lugar entre o excesso de restrições e a liberdade estão os sistemas de design.

A Instabilidade e o Design

O design é instanciado na natureza, mas possui uma estrutura formal². Essa estrutura formal não corresponde a nada no ambiente e não é produto de qualquer tendência natural, pelo contrário: a ação natural sobre o sistema pode ser nociva. Isso implica na degradação dos sistemas de design sujeitos ao tempo conforme os fatores do ambiente. Essa suscetibilidade será maior conforme o número de pontos funcionais do sistema. O conceito de suscetibilidade foi apresentado em Filosofia do Design: Polanyi & Pathologies.

Ocorre que, a partir das restrições em direção aos estados caóticos, há uma instabilidade crescente na natureza. Quanto mais distante das restrições, menor a estabilidade. Isso impacta nos sistemas de design em forma de ruído, como vimos em Evolução vs Design como Teoria da Informação.

Solução: mais engenharia

A solução para esse problema de ruído, tanto em sistemas biológicos ou engenharia humana, é alcançada por meio de mais engenharia subjacente. Vimos um pouco disso em Uma Ode ao Código Genético – Evidências para o ajuste fino na Tabela Padrão de Códons.

Evolução e instabilidade

Apesar de atuar como perturbação nos sistemas informacionais, esta instabilidade produz parte da variação dos sistemas e, portanto, é pressuposta na evolução biológica. A variabilidade dos sistemas é considerada a fonte de todo o design biológico quando ajustada pela seleção natural.

O resultado direto desta guerra da natureza que se traduz pela fome e pela morte, é, pois, o fato mais admirável que podemos conceber, a saber: a produção de animais superiores.

C. Darwin. A Origem das Espécies. (1859)

O Design Inteligente trata da evolução de sistemas de design, inclusive os biológicos, na medida que delimita e descreve suas transformações ao longo do tempo. E o que os dados hoje nos permitem dizer está bem longe da “produção de animais superiores”, muito pelo contrário.


Nota¹: As restrições no contexto de design, quando exclusivas do design, são chamadas “controles”.

Nota²: O design biológico é um contexto cibernético, subconjunto do contexto de design com funcionalidades: regulação, retroalimentação, controle e comunicação.


Junior Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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