A Incorporação Sutil da Teleologia na Explicação Evolutiva

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Seta indicando um sentido: imagem remetendo a teleologia na chamada da BMC / ©

A revista “Evolution: Education and Outreach” (BMC Proceedings) fez uma chamada para artigos que “explorem todos os aspectos do raciocínio teleológico e da linguagem teleológica pertinente ao ensino e aprendizado da evolução.” O resumo da convocação é o seguinte:

O escopo dos artigos a serem incluídos nesta edição especial vai desde as reflexões teóricas sobre o papel que a teleologia deve desempenhar na educação evolucionária, até os estudos empíricos que abordam os aspectos relacionados à teleologia da evolução do ensino e da aprendizagem. Os trabalhos submetidos podem, por exemplo, abordar: a avaliação do raciocínio teleológico dos alunos e os equívocos teleológicos sobre a evolução ; estratégias de ensino e ambientes de aprendizagem com foco na teleologia; ou professores práticas instrucionais relacionadas à teleologia e desenvolvimento profissional. A literatura sobre teleologia é diversa; Congratulamo-nos com uma série de posições de uma variedade de disciplinas (por exemplo, psicologia cognitiva, ciências da aprendizagem, educação em biologia, filosofia da ciência).

Sobre a Teleologia

A teleologia é estudo das finalidades, ou seja,  das metas, propósitos, objetivos e desígnios. Qualquer explicação que envolva inteligência é fundamentalmente teleológica. Quando alguém ingenuamente tenta explicar uma função evolutiva e usa a palavra “para“, ele aplicou teleologia. Por exemplo, quando seu professor diz “as asas evoluíram para voar”, ele está usando teleologia, está afixando um objetivo. E é o que mais existe na literatura biológica. A conceituada Universidade de Berkeley mantém em um de seus sites, Understanding Evolution, a seguinte asserção: “a seleção natural é um excelente ladrão, toma características que evoluíram em um contexto e as utiliza para novas funções”. A biologia é o campo mais teleológico (parecendo e talvez até superando as engenharias).

A dinâmica evolutiva não produz nada parecido com a inteligência porque ela possui objetivo distante, além (meta), do contexto imediato. A lógica evolutiva é imediatista. A teleologia constantemente produz/investe sem retorno imediato. A lógica darwiniana é o oposto: requer vantagem imediata em sucessivas etapas. Como vimos em “Por que o Design não é um simples fruto do acaso?”,  essa é diferença mais drástica entre a teleologia (inteligência) e a dinâmica natural:

Somente processos teleológicos tem a habilidade de considerar um objetivo futuro. (Dembski)

A Solução: Cooptar a Intencionalidade Sutilmente para o Processo Darwiniano

A teleologia aparece nas explicações como uma forma intencionalidade, uma mover-se na direção de um objetivo. Em algum momento após 1960, os esforços para se livrar da teleologia se esgotaram. A solução? Mascarar ela sutilmente dentro das construções teóricas não intencionais. Abaixo um trecho da Réplica Avassaladora aos Críticos do Design ocorre a exposição da “nova” lógica evolutiva:

A maioria das questões sobre os passos evolucionários foi resolvida apelando-se para explicações aparentemente teleológicas que as proteínas foram magicamente “preadapted” [pré-adaptadas] para uso na máquina ou que as “machineries emerge before there’s a need for them” [as maquinarias surgem antes de haver necessidade para elas].

Já observamos a tendência de justificar isso filosoficamente (porque é a filosofia que dá as cartas) logo na repercussão inicial do movimento do Design Inteligente (a partir de 1996), alguns anos depois, em 2000, John Maynard Smith tenta absorver o poder explanatório:

“O design inteligente e a seleção natural produzem resultados semelhantes. Uma justificativa para essa perspectiva é que programas projetados por humanos para produzir um resultado são semelhantes, e podem ser indistinguíveis, a programas gerados pela seleção sem inteligência.”

Nada mais falso. Poderíamos simplesmente parar de trabalhar em muitas coisas se isso fosse verdade. Mas não é. O padrão de tentar cooptar a teleologia é muito interessante pra eles, porque deixa os adversários teóricos aparentemente de mãos vazias. O que um proponente do Design Inteligente pode apresentar se suas explicações de engenharia foram sutilmente esvaziadas?


Enézio E. de Almeida FilhoRéplica Avassaladora aos Críticos do Design. (Tadução do texto escrito por Casey Luskin). Setembro de 2009.

Universidade de BerkeleyUnderstanding Evolution: Look at Complexity.

Ewert, Winston, et al. “Time and Information in Evolution.” BIO-Complexity2012 (2012).
http://bio-complexity.org/ojs/index.php/main/article/view/BIO-C.2012.4

Smith, John Maynard. “The concept of information in biology.” Philosophy of science (2000): 177-194.


Junior Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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