Alguns Pontos Sobre a Lei de Conservação da Informação

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O espaço de buscas e a Lei da Conservação da Informação.

Por Andrew Jones

Uma das idéias mais fundamentais e úteis que surgiram do movimento do design inteligente é o insight expresso por Bill Dembski como a Lei da Conservação da Informação (LCI). Simplificando, a ideia é que a informação não aparece do nada, mas sempre pode ser atribuída a uma fonte anterior, análoga à conservação da energia ou à dinâmica da física. Tem sido usado para argumentar que a evolução não pode criar informação, e acho que isso é verdade, contanto que você entenda corretamente o que estamos dizendo. Mas muitos críticos ainda não entenderam isso.

Ela foi criticada a partir de várias direções; um número muito suspeito de direções na verdade: geralmente, se uma ideia está errada, há apenas uma coisa principal errada com ela, então sempre suspeito quando qualquer ideia é retratada como “errada em todos os sentidos” ou é atacada de maneira dispersa. Você deveria desconfiar também. Mas isso é um assunto para outro dia. Vamos falar sobre uma crítica.

Algumas pessoas pensam que estamos dizendo que a seleção natural não funciona. Uma vez que a seleção natural é, obviamente, um fenômeno real, presumem que o argumento de Dembski deve ser uma “salada pseudocientífica intelectualmente vazia”, e depois procuram razões do porquê.

O geneticista Joe Felsenstein, da Universidade de Washington, recentemente repetiu suas críticas à Lei de Conservação da Informação de Dembski. O contexto foi a Palestra do Memorial Fisher na Universidade de Bristol em janeiro deste ano (vídeo em inglês).

É interessante: ele está argumentando que a informação especificada é um conceito biológico útil (concordo sinceramente), mas ele acha que ninguém a toca por causa de sua associação com o Design Inteligente. Sim, bem, talvez se vocês apenas fizessem ciência, sua associação com o DI não importaria tanto. Ele critica Dembski, presumivelmente referenciando essa crítica que ele escreveu alguns anos antes. Dê uma olhada na seção “A prova de Dembski”. Winston Ewert já respondeu isso há vários anos. Você pode ver que esses críticos (ainda) concordam conosco mais do que percebem, mas eles continuam batendo em um cavalo morto.

O problema é que não é o nosso cavalo. Deixe-me contar sobre o nosso cavalo.

Primeiro, vamos nos lembrar de alguns termos. Informação Complexa Especificada (ICE) é um arranjo que combina um padrão independente que é estatisticamente improvável por acaso, a ponto de ser impossível (500 bits é suficiente). O padrão independente é crucial, porque tenta capturar a ideia de significado ou função, em contraste com a informação de Shannon, que é meramente um arranjo que é estatisticamente improvável, não importando se significa alguma coisa para alguém. A informação de Shannon é muito útil para empresas de telecomunicações e engenheiros de computação, mas não é sobre isso que queremos falar. Queremos saber se um processo algorítmico não inteligente pode gerar “conteúdo”.

O argumento de Dembski é que a informação especificada pode ser transformada por processos algorítmicos, mas não aumenta em quantidade. Por exemplo, considere um documento digital contendo ICE. Se criptografamos, obtemos um arquivo com aproximadamente o mesmo tamanho. Não está mais em uma forma legível, mas o senso comum nos diz que não apenas temos a mesma quantidade de informação, mas a mesma informação em uma forma diferente. Quando descriptografamos o documento, o processo de descriptografia não está criando a ICE; só revela a ICE existente.

A questão é se isso se aplica à seleção natural e, em caso afirmativo, de que maneira. Os evolucionistas precisam da seleção natural para poder criar ICE, então para eles deve haver algo errado com a analogia de criptografia ou algo errado com a definição de ICE. Felsenstein ficou com a segunda opção.

Eu acho que Felsenstein quer acreditar que alguma quantidade inicial de ICE pode ser influenciada pela seleção natural, terminando com uma quantidade maior de ICE. E se assim for, a ICE inicial e final pode não ser exatamente a mesma. Portanto, ele conclui que a definição de Dembski ou o uso de ICE está errado. Em particular, ele está preso à ideia de que a especificação da ICE criptografada depende do conhecimento da chave de descriptografia. Se esta é a especificação, ela não é independente do processo (decriptografia) que gera a ICE final e, portanto, ele acha que é inválida. Mas olhe, mesmo que houvesse algum problema técnico com o formalismo do argumento de Dembski ou a definição de ICE (não estou convencido de que exista; é isso que Winston Ewert estava tentando desvendar), por que não abordar o argumento do senso comum? O argumento sobre criptografia é simples e intuitivo; você tem a mesma informação complexa e significativa, mas transformada.

A ideia de ICE não está fundamentalmente errada. O problema real é que a criptografia não adiciona informações. A seleção natural é diferente nesse aspecto; o ponto principal do mecanismo neodarwinista é que ele poderia acrescentar informações.

Acredite ou não, muitas pessoas do DI concordam que a seleção natural pode adicionar informações especificadas, pelo menos um pouquinho. Por exemplo, partes do sistema imunológico operam por um processo como a seleção natural, “lendo” antígenos estranhos para gerar anticorpos correspondentes. A capacidade de identificar um antígeno específico é uma informação nova e especificada. Mas não é complexa. O sistema imunológico como um todo é complexo, cheio de ICE, mas essa complexidade é afinada para formar os ajustes específicos de um novo antígeno relativamente rápido e simples, certamente nada como 500 bits. Esta é a ideia da informação ativa no trabalho. Além disso, os ajustes são transitórios, dependendo de quais antígenos estão atualmente presentes ou não. Poucas pessoas do DI concordariam que a seleção natural adiciona informações complexas e especificadas ao longo do tempo, mas esse argumento é um pouco mais rio abaixo. Ainda não chegamos lá.

Talvez a seleção natural, por vezes, “adicione” informações. Isso significa que a Lei de Conservação da Informação está errada? Não. A LCI só está errado se não houver conservação. Seria errado se a seleção natural estivesse importando magicamente informações do nada, mesmo que só um pouquinho. Senão a LCI é uma heurística útil na medida em que nos lembra de verificar se a “mágica” está acontecendo em vez de presumir casualmente que está.

Então é mágica? Não. A seleção natural não cria informações. Na melhor das hipóteses, “aproveita” informações na forma de níveis de aptidão. Então, de onde ela “aproveita” as informações? Em linguagem matemática, o espaço de possibilidade de mutações define um domínio, e a aptidão seletiva define um intervalo de uma função de aptidão.. Esta é uma abstração teórica que podemos usar para abstrair todos os detalhes que entram em determinar a aptidão (sequências genéticas, nichos ecológicos, competição, co-evolução, etc.), a fim de ver com mais clareza. Se houver informações especificadas adicionais entrando em formas de vida por seleção natural, elas virão de desse espaço e não do nada. No caso da descriptografia, as informações especificadas saem do arquivo criptografado e o algoritmo de descriptografia está apenas transformando-o. No caso da seleção natural, devemos dizer que a informação especificada está saindo da função de adequação, e o algoritmo da seleção natural está meramente a “transformando”¹. Você percebeu como isso funciona? E você percebeu como isso significa que a Lei de Conservação da Informação ainda se aplica?

Nota do tradutor ¹: o autor sugere atividade do processo sobre os organismos, não o mero sucesso reprodutivo. Sendo um defensor da TDI, podemos perceber onde vai o condicionamento da perspectiva animista darwiniana, onde um processo consequente passa a “fazer” e “transformar” organismos.

O ponto da LCI não é dizer que o ICE nunca pode aumentar em nenhum organismo, mas apenas apontar que a informação teria que vir de algum lugar. Deve haver uma razão para isso; tudo interessante precisa de uma explicação. A LCI é quase trivialmente verdadeira nesse sentido.

A maneira como a LCI afeta o evolucionismo não é alegando que a seleção natural é impossível, ou que a seleção natural nunca pode aumentar a ICE ou nunca melhorar um organismo.

A maneira como a LCI afeta o evolucionismo é apontar que, se a seleção pudesse criar ICE a partir do zero, ela só poderia fazer isso aproveitando as informações especificadas fora da função de adequação. Assim, a função de adequação precisaria conter não apenas uma pequena quantidade de informação especificada, pequena o suficiente para que a aleatoriedade possa explicá-la (que é outra maneira de dizer que ela é insignificante demais para precisar de explicação), mas toda a quantia. Além disso, assim como na criptografia, é a mesma informação, embora não seja descompactada ainda.

A mística do evolucionismo é a ideia de que a seleção natural explica a maior parte do design biológico. De fato, a própria seleção natural não explica nada; só coloca tudo debaixo do tapete. A origem real da informação, se vier através da seleção natural, está na função de adequação, e precisamos perguntar por que há Informação Complexa Especificada lá ou como ela chegou lá? Tudo ainda precisa ser explicado.

Aliás, isso não é apenas um argumento abstrato. Você pode ver alguns dos programas de pesquisa tem produzido e mais informações em EvoInfo.org.

Andrew Jones. The Law of Zero Magic. 10 de abril de 2018.
(Acessar)


Junior Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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