A Circularidade da Inferência ao Design

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Os artigos de tradução normalmente são associados a postagens em série de argumentos, réplicas, tréplicas e demais desdobramentos que normalmente são volumosos. Eu pretendia traduzir tanto as críticas quanto as propostas, como quando traduzi a crítica de Shallit (A Falsa Teoria da Informação de Stephen Meyer) parar contextualizar a resposta. Mas é um trabalho solitário e não vejo os críticos brasileiros fazerem o mesmo nem com os próprios artigos, muito menos com os nossos para contextualizar, portanto agora só trarei nossos artigos e referências aos críticos apenas vez ou outra en passant. – Eskelsen

Um floco de neve. Um floco de neve excede em muito a probabilidade de Dembski para Complexidade Especificada. Estaria sua inferência equivocada?

Por Winston Ewert

Keith S está certa. Mais ou menos.

Como destacado em uma publicação recente, Keith S argumentou que Dembski, em Design Inference, usa um argumento circular. Keith descreve o argumento como:

Em outras palavras, concluimos que algo não evoluiu apenas se já sabemos que não evoluiu. Complexidade Especificada é apenas uma vitrine para este fato bastante incessante.

Na sua forma mais básica, um argumento de Complexidade Especificada (CE) assume uma forma como:

Premissa 1) A evolução do flagelo bacteriano é astronomicamente improvável.
Premissa 2) O flagelo bacteriano é altamente especificado.
Conclusão) O flagelo bacteriano não evoluiu.

O ponto de Keith é que, para mostrar que o flagelo bacteriano não evoluiu, temos que mostrar primeiro que a evolução do flagelo bacteriano é astronômica improvável, o que é quase a mesma coisa. A Complexidade Especificada move a argumentação sustentando que a evolução é improvável, para demonstrar que a evolução não aconteceu. A parte difícil é mostrar que a evolução é improvável. Uma vez que estabelecemos que a evolução é grandemente improvável, parece um ponto muito óbvio que ela não teria ocorrido.

Em alguns casos, as pessoas entenderam o argumento de Dembski incorretamente, propugnando ou atacando alguma variação em:

1. A evolução do flagelo bacteriano é altamente improvável.
2. Portanto, o flagelo bacteriano apresenta CE elevada
3. Portanto, a evolução do flagelo bacteriano é altamente improvável
4. Portanto, o flagelo bacteriano não evoluiu.

Este é realmente um argumento muito bobo e as pessoas precisam parar de discutir sobre isso. Complexidade Irredutível e Complexidade Especificada não ajudam de forma alguma a estabelecer que a evolução do flagelo bacteriano é improvável. Em vez disso, a única maneira de estabelecer que o flagelo bacteriano exibe CE é primeiro mostrar que era improvável. Qualquer tentativa de usar CE para estabelecer a improbabilidade da evolução é profundamente falaz.

Se a Complexidade Especificada não ajuda a estabelecer a improbabilidade da evolução, o que há de bom nela? Qual o ponto do argumento de Complexidade Especificada? Considere o seguinte argumento:

1. O padrão de cada floco de neve é ​​astronomicamente improvável.
2. Portanto, não neva.

Obviamente, neva, e o argumento deve ser falacioso. O fato de que um evento ou objeto é improvável é insuficiente para estabelecer se ele é formado por meios naturais. É por isso que Dembski desenvolveu a noção de Complexidade Especificada, argumentando que, para rejeitar eventos casuais, ambos devem ser complexos e especificados. Portanto, não é o mesmo dizer que a evolução do flagelo bacteriano é improvável e que não aconteceu. Se o flagelo bacteriano não fosse especificado, seria perfeitamente possível evoluí-lo, mesmo que fosse muito improvável.

A noção de Complexidade Especificada existe para um propósito: dar força a argumentos de probabilidade. Se olharmos para a complexidade irredutível de Behe, o trabalho de Axe sobre proteínas ou praticamente qualquer trabalho de qualquer proponente do Design Inteligente, o trabalho busca demonstrar que o relato da evolução darwinista é grandemente improvável. O trabalho de Dembski sobre a Complexidade Especificada e a inferência do projeto funciona para mostrar porque essa improbabilidade nos dá motivos para rejeitar a evolução darwiniana e aceitar o design.

Então, Keith está certo, argumentando que a improbabilidade da evolução com base na Complexidade Especificada é circular. No entanto, a Complexidade Especificada, tal como desenvolvida pela Dembski, não foi concebida com o objectivo de demonstrar a improbabilidade da evolução. Quando usado para o seu papel apropriado, a Complexidade Especificada é um argumento válido, embora limitado.


Alguns comentários do tradutor

A exposição do argumento de Ewert é frágil e até ingênua. Entretanto, ele entende a essência do conceito de Complexidade Especificada: complexidade e especificidade, onde a primeira faz o elemento ser improvável e a segunda aponta pra uma certa regularidade. Os padrões que se repetem na natureza são prováveis e variam em frequência, sendo formados pela convergência de leis naturais e restrições. Um padrão improvável que se repete e escapa dessas leis e restrições é chamado independente (arbitrário) ou simplesmente: complexidade especificada.


– Eskelsen


Original:

Winston Ewert. The Circularity of the Design Inference. 2014.
(Acessar)


Junior D. Eskelsen
About Junior D. Eskelsen 91 Articles

Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

1 Comentário

  1. Essa refutação parece que foi feita para ser uma piada, não? “É altamente improvável que as pessoas caiam para cima. Por isso, as pessoas nunca caem para cima.” Isso é um argumento circular?? Você está certo, é muito frágil e ingênuo. Parece desespero de quem não tem uma refutação verdadeira, mas precisa urgentemente de uma.

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