Atmosfera tensa no primeiro dia do encontro “New Trends in Evolutionary Biology” na Royal Society – Londres

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Por David Klinghoffer. Tradução: Enézio E. de Almeida Filho. Original em Pos-Darwinista (Desafiando a Nomenklatura Científica).


Um encontro na Royal Society de Londres não é qualquer uma conferência científica antiga. A Royal Society está entre as mais veneráveis do mundo, foi presidida por Isaac Newton por 25 anos antes de morrer. Sua máscara mortuária está em exposição para lembrar os visitantes dessa história.

Assim, a conferência da RS sobre “New Trends in Evolutionary Biology” (Novos rumos em biologia evolucionária) é de especial destaque. Paul Nelson espera “fogos de artifício” antes que ela termine. O encontro começou hoje e se encerrará na quarta-feira. Nenhum defensor do Design Inteligente irá discursar para a distinta audiência, embora um dos Senior Fellow do Discovery Institute fez uma aparição de surpresa na fala de um palestrante (vide abaixo). Dos relatos que nós estamos recebendo através de cientistas amigos que estão assistindo, a atmosfera é tensa. Na verdade, dois comentários usam esta mesma palavra.

Disse um:

“Para mim foi surpreendente que houve alguma tensão entre os defensores da Síntese Moderna e aqueles da síntese evolutiva ampliada/estendida. Por que? Qual é o problema até se alguns mecanismos evolucionários forem descobertos?

Em todo caso, na minha opinião isso não tem sido demonstrado pelas palestras apresentadas hoje que a síntese evolutiva ampliada/estendida fornece o potencial para criar novidades verdadeiras.”

Outro cientista compartilhou fotos e observações.

P. Você se encontra agora em Londres, não é verdade? Como está indo o encontro? Eu gostaria de ser capaz de dar algumas impressões de primeira mão para os leitores do Evolution News.

“Claro, é muito interessante de muitas maneiras. Há alguma tensão tangível entre os defensores da antiga Síntese Moderna e a mais nova Síntese Ampliada/Estendida. O grupo “Third Way of Evolution” (Terceira via da evolução) sequer é mencionado. Hoje, a maioria das palestras abordou o fenômeno da plasticidade fenotípica e da construção de nichos. Os dois processos podem ser relevantes em nível microevolucionário, mas nenhum dos palestrantes sequer tentou abordar o problema crucial da origem de novas estruturas complexas e da informação. Eles apresentaram exemplos de mudança descontínua, mas todos eles foram ou reduções ou multiplicações de estruturas preexistentes tipo dedos/falanges.

Também interessante foi que quase todo mundo usou o termo neodarwinismo, o que refuta aqueles críticos do DI que mantém que a palavra neodarwinismo não é usada por “cientistas verdadeiros”, mas somente pelos criacionistas.”

Nosso amigo cientista ofereceu uma decomposição das apresentações individuais:

“A primeira palestra foi por Gerd Müller, que apresentou uma visão geral e defesa da Síntese Ampliada/Estendida. Cuidadosamente ele evitou qualquer crítica fundamental ao processo neodarwinista.

A segunda palestra foi por Douglas Futuyma, que basicamente disse “Se você ler o meu livro que eu escrevi há vinte anos atrás, ele já continha a maioria das ideias da tão chamada Síntese Ampliada/Estendida.” Ele insistiu que somente a seleção [natural] pode explicar as mudanças improváveis.

A terceira palestra foi por Sonia Sultan, e foi extremamente interessante. Ele apresentou evidência para adaptações herdadas, mas não genéticas, envolvidas na plasticidade de desenvolvimento (eco-evo-devo). Ex., girinos do mesmo genótipo crescem mais em charcos com predação de salamandras. Ela explicou que até um elaborado modelo de genótipo não pode acomodar os fenômenos de plasticidade. Na seção de Perguntas e Respostas, perguntaram para ela se isso é lamarquismo, e ela respondeu: “Rótulos são um problema, mas se você quis dizer evolução lamarquista no sentido de herança dos caracteres adquiridos, sim! Isso definitivamente não deve acontecer.”

A quarta palestra foi por Russell Lande, também sobre plasticidade fenotípica. Ele discordou de Sultan e considera a maquinaria neodarwinista como plenamente suficiente e adequada para explicar o fenômeno. Ele também fez o único comentário depreciativo para o Design Inteligente: “Todos nós aqui concordamos sobre Darwin, exceto alguns fanáticos fundamentalistas por aí.”

A próxima palestra foi de Tobias Uller que considera que os processos evolucionários são autorreferentes (e recorrentes). Ele propôs uma visão relacional oposta à uma visão autônoma dos três principais processos [evolucionários] (variabilidade, hereditariedade, seleção [natural]).

O próximo palestrante foi John Dupré que argumentou a favor de um processo de ontologia onde as espécies são processos individuais e a evolução é a mudança desses processos. Ele também disse que as espécies não têm essas características que suportem essa mudança. Na seção de Perguntas e Respostas, perguntaram a ele, como, considerando-se suas afirmações, ele pode estabelecer identidade transtemporal do processo (mesmas espécies em T1 e T2 sofrendo mudança), porque Whitehead era um Platonista que usou a instantiação de objetos não materiais eternos para este propósito. Ele respondeu que ele prefere evitar a bagagem Whiteheadiana e basicamente apelou para um nominalismo radical, no qual nós limitamos arbitrariamente as partes de uma grande desordem em indivíduos e processos distintos.

Note que na palestra de Dupré, uma busca de imagem no Google, falhou neste slide – a image de Michael Ghiselin é, na verdade, de Richard Weikart.”

P. Um momento, você fala sério sobre o Weikart? Eis aqui. A segunda foto é um close-up:

Sim, certo, aquele é o Richard. O Dr. Weikart é um historiador, um Senior Fellow no Center for Science & Culture do Discovery Institute, e autor de From Darwin to Hitler e outros livros. Será que alguém percebeu o erro (fora os amigos de Weikart na audiência)?

“Não, mas nós nos divertimos. E ele, definitivamente.”

P. Continue.

“O próximo palestrante foi Paul Brakefield com uma (no meu ver) palestra um pouco chata sobre a evolução das manchas arredondadas em asas de borboletas.

A última e muito boa palestra foi por Kevin Laland sobre a construção de nichos como um viés desenvolvimentista e um importante processo evolucionário. Mas ele também fracassou em estabelecer qualquer papel para este processo na macroevolução.”

P. Você está com a impressão se eles deixaram as palestras mais provocadoras para os dois últimos dias?

“Não, eles ficarão muito mansos e evitarão qualquer impressão que algo esteja fundamentalmente errado com o neodarwinismo.

É tudo sobre uma extensão da Síntese Moderna, ou melhor, uma extensão da Síntese Ampliada/Estendida. Há muito diálogo de surdos, bastante discussão sobre palavras, terminologia, e definições. Algum comportamento de macho alfa, e a negação de que haja necessidade para um Síntese Ampliada/Estendida. E alguma pesquisa interessante em nível de pequenas mudanças, isto é, microevolução.”

P. Que tipo de comportamento de macho alfa?

“Do tipo de ‘Isso não é novidade, nós sabíamos disso há muito tempo, os fenômenos existem, mas são irrelevantes, apelam para a autoridade, etc.”

P. Apesar deles tentar evitar dar a impressão de algo está “fundamentalmente errado”, um observador informado leria por detrás das palestras e entender que algo na verdade está seriamente errado?

“Talvez não. O mais próximo seria a palestra do Gerd Müller, onde ele disse que a Síntese Moderna tem diversas deficiências explanatórias, inclusive a explicação da complexidade fenotípica. Mas depois, nenhum de seus elementos da Síntese Ampliada/Estendida sequer abordaram esta questão.”

Q. Você mencionou uma alusão de menosprezo por Russell Lande aos céticos de Darwin. Eles sabem que nós estamos na audiência?

“Não, eu creio que ele não sabia disso. Mas o bonachão do Larry Moran está aqui, e é claro, reconheceu algumas faces familiares.”

Q. Algumas observações fortuitas? E a comida? Jerry Coyne no site Why Evolution Is True raramente deixa de postar fotos de suas refeições quando ele viaja. Eu não esperaria isso de você.

“O almoço na Royal Society foi surpreendentemente bom (considerando-se a reputação da cozinha britânica).

Larry Moran reclamou sobre a qualidade das apresentações e disse para [colaborador do Evolution News] Jonathan M. que “Vocês são muito melhores em dar palestras.” Ele também pediu para tirar uma foto com ele (para sua coleção de troféus de fotos com os defensores do Design Inteligente).

Aqui uma foto tirada na caminhada desta manhã indo para a Royal Society. Um edifício e tanto com antigos quadros de pessoas como Newton e Robert Boyle. A Royal Society mesma não está visível na foto.”

Q. Cena de rua e tráfego legal. Quando nós iremos ouvir de você novamente?

“Meu relato sobre o segundo dia seguirá amanhã.”

Fantástico. Muito obrigado! Nós vamos ficar na expectativa dele.

Eu estou no Twitter. Sigam-me @d_klinghoffer.


Junior D. Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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