O Valor das Lacunas – Reserva Teórica

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Um agradecimento ao Rafael Valvassoura que, em um debate (ver), apresentou as lacunas de uma forma tão “autossuficiente” que propiciaram mais um insight de minhas buscas por estratégias de linguagem (nesse caso transformam as lacunas em argumento positivo).


Se há lacuna, algo está faltando.

Não era a primeira vez que via as lacunas sendo apresentadas como garantia, e eu passei a chamar isso de “reserva teórica” (só a teoria X pode responder isso). Isso me fez perceber que as assumir é assumir continuidade onde, muitas vezes, não há. Só há lacunas onde há continuidade.

Nas lacunas presumidas ninguém se importa em sustentá-las com o “acaso nas lacunas”. Aparentemente argumentar com ignorância nunca foi o problema. Lacunas, realmente, só podem ser preenchidas com continuidade. Sustentar lacunas é interessante para uma cosmovisão específica, não para a ciência. Não existe nada mais valioso na defesa de uma cosmovisão do que conceitos que comprometem a abordagem.

"Os seguidores da Escola de Frankfurt centram seus esforços especificamente na cultura. É a cultura o que forma os fundamentos que modelam a mentalidade e a visão política das pessoas. Alterando-se a cultura, altera-se a mentalidade e a visão política das pessoas. Para alterar a cultura, é imprescindível controlar a linguagem e as idéias. E, para se fazer essa revolução cultural, é imprescindível se infiltrar nos canais institucionais, particularmente na educação." — Claudio Grass

Entendeu porque as lacunas aparecem sempre como argumento pró-evolução? Como elas surgem no debate? Alguém reparou? A descontinuidade é apontada e são cobrados exemplares transicionais (do compromisso lento e gradual darwinista), então, aparece a esquiva: “estão tentando por Deus nas lacunas!”. A princípio era apenas a exposição de anomalia grave na teoria, mas em poucas palavras o cenário se inverte. Sorrateiramente está implantada a lacuna onde visivelmente não há, e assim está consolidado o domínio e reserva teórica.

Assim, o conceito de lacunas foi uma artimanha linguística na reclamação de descontinuidade no registro fóssil dos críticos da evolução biológica. Ao chamar a falta de continuidade de lacunas se estabelece que algo existe e está faltando, o que é diferente da descontinuidade apresentada inicialmente. Mas é algo sutil o suficiente para não ser percebido pelos próprios envolvidos. Isso não desconfigura a falácia.

O controle da linguagem permite o controle das teorias e ideias, é uma das ferramentas básicas das ideologias nocivas que assolaram o mundo no século XIX e XX. Porque, nesse caso, lacunas comprometem o discurso com algo que falta, que ainda está para ser encontrado. Esse discurso inclusive torna a pesquisa científica semelhante a um dos conceitos de fé: “esperança de algo futuro”. Assim sendo, conceder ao vazio o status de “lacuna”, com o peso do conceito acima exposto, é conceder ao desejo de que o mundo natural seja diferente do que ele é. E é por isso que a teoria é tranquilamente sustentada por lacunas.

Não que isso tenha algo científico, respeite as regras de inferência  ou seja ético, muito pelo contrário…


Claudio Grass. Sobre a Escola de Frankfurt.


Junior D. Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

3 Comentários

  1. Alguma chance de, em nome da honestidade intelectual, você postar o link da discussão supracitada?
    As lacunas evolutivas no caso, você pretende preencher com deus, afirmar que a “ausência de evidência é evidência de ausência” e concluir que NUNCA serão preenchidas sem a invocação do sobrenatural.
    Falando em dois pesos e duas medidas… Smoke and mirrors. Assim caminha a religião do design iiiiiiiiiiiiih…. nteligente.

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