Evidência de Ausência

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Em algumas circunstâncias pode presumir-se com segurança que, se um determinado evento ocorreu, evidências podem ser descobertas por investigadores qualificados. Em tais circunstâncias é perfeitamente razoável tomar a ausência de prova de sua ocorrência como prova positiva da sua não ocorrência.

— Copi, Introduction to Logic (1953), p. 95

Se eu disser que há vida extraterrestre eu comprometo a investigação científica a uma busca inviável no tocante a evidência de ausência, configurando no máximo, até o momento, uma ausência de evidência. Mas se eu digo: “há civilizações na superfície de Marte”, constatar a não existência de civilizações é possível pela ausência dos vestígios e sinais esperados, os quais configurariam evidências, quando podemos observar toda a superfície.

Mas esse caso ilustra a possibilidade de se verificar todo o cenário em questão, na maioria dos casos a ciência histórica trabalha apenas com evidências circunstanciais – poucos fragmentos da cadeia de eventos – que podem revelar algum conhecimento dos cenários através do tempo.

Um caso que ilustra bem isso é o seguinte: temos um recipiente de populações de cores distintas. Com a oportunidade de se retirar uma quantidade pequena conseguimos uma amostra do que há no recipiente, que aqui ilustra um cenário específico na natureza. A cada nova oportunidade reconstruímos aproximadamente, através das pequenas porções, o conteúdo do recipiente (cenário). Alegações de que populações de outras cores, que não apareceram nas amostras, mas que estariam juntas continuamente participando desse cenário, podem ser respondidas com a evidência de ausência conforme as próprias proporções esperadas para essas populações.

Quando retiramos uma amostra de elementos do recipiente é possível que nem todas as cores sejam representadas. Mas a melhor inferência passa a favorecer a evidência de ausência conforme o número de amostras aumenta.

Esse exemplo da ausência de evidência está na publicação A Explosão Cambriana: Um Fato a Ser Negado.

A evidência de ausência em debates

O desconhecimento sobre isso, ao expormos o conceito de evidência de ausência, provoca como resposta o conhecido aforismo:

“Ausência de evidência não é evidência de ausência.”

Ou seja, na tentativa de se proteger convicções, repete-se justamente a colocação que apresenta a evidência de ausência como tipo de evidência positiva, distinta da falta de provas ou ignorância.

Isso tudo não é algo inacessível, parte do conteúdo presente aqui pode ser encontrado na Wikipédia Inglesa.


Junior D. Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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