A Questão Fundamental

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Alguns livros relacionados ao Design Inteligente.

Mencionei há algumas semanas atrás que possuía alguns livros considerados bons no movimento do ID. Já fazem uns 18 anos desde que li Darwin's Black Box do Michael Behe. De lá pra cá comecei uma busca por sentido nessa teoria do Projetista Inteligente. Tem alguns bons autores - Behe, Dembsky e Woodward. Mas com o tempo fui percebendo que eles pareciam trilhar um caminho que não estava dando em lugar nenhum. Hoje não defendo mais o ID e pelo visto alguns aqui nessa página não tem uma preocupação em defender suas ideias, defendem suas posições usando para isso métodos nada científicos. – Carlos Edmundo Lima

Repare bem nisso: “fui percebendo que eles pareciam trilhar um caminho que não estava dando em lugar nenhum”. Quando eu escrevi a Teoria Cibernética do Design (ainda não publicada) descrevi essa situação no desfecho:

"Alguns nos chamam obscurantistas, e nossa exposição nos lança realmente em uma grande incerteza. Rejeitamos um compromisso não cumprido por uma ausência de compromisso, perdemos a segurança da realidade última material, da autossuficiência das transformações da matéria explicarem nossa origem e natureza. Nosso conforto se baseava em uma conclusão seguindo uma interpretação particular. O grande impacto aterrorizante da TDI é retirar uma certeza não científica de uma realidade última material. E a natureza da realidade última continua distante como sempre."  Teoria Cibernética do Design, Desfecho

A postagem é do dia 8 de Setembro, já o desfecho foi escrito antes de Julho, ou seja, é uma questão fundamental recorrente. Isso porque há algum tempo venho refletindo sobre essas coisas e prometi escrever algo mais completo, essa postagem serve como exemplificação perfeita do vazio encontrado na Teoria do Design Inteligente, algo que não a prejudica como teoria científica.

Ele acrescenta, deixando claro uma compreensão totalmente voltada a satisfazer a necessidade de uma realidade última tangível:

Eu achei que eu estava indo para um beco sem saída. Afinal, a teoria do ID é um esforço para se provar cientificamente a existência de um criador supremo. Eu particularmente não preciso disso e pelo visto, muitos cientistas também concordam comigo.

A investigação da história causal dos sistemas biológicos me levou a vários “becos sem saída”, mas quando considerei o Design Inteligente algo mudava, eu perdia uma certeza peculiar. Demorei para perceber que essa certeza não era científica, era uma confiança de que a cadeia causal fisicodinâmica seguiria continuamente, algo que não ocorre. O que mais temos são anomalias nas mais diversas narrativas, seja na formação de astros, seja na formação de sistemas biológicos. Sobre Sinais e Assinaturas – Restaurando a Ciência, publicado agora a pouco, demonstra um dos inúmeros exemplos disso.

Quando retrocedemos na história causal encontramos interrupções e “saltos” necessários na cadeia de eventos, além de entidades e eventos somente concebíveis pelas assinaturas presentes no que observamos hoje. A necessidade dessa segurança de uma realidade última explica porque, mesmo colapsantes, as teorias continuam sustentadas, porque na verdade não é sequer necessário que se tenha uma teoria alternativa para substituição.

No tocante ao “esforço para se provar cientificamente a existência de um criador supremo”, isso não tem qualquer efeito, relevância ou mérito científico. Podemos ver isso em Motivações para o Design.

Quanto a realidade última

Sequer há uma unidade sobre o que essa realidade última seria[1], mas existe sobre o que ela não deve ser sendo que a ciência não pode suportar qualquer versão. Muito além do númeno de Kant, é algo atual[2]:

"Na verdade Sir James Jeans declarou recentemente que a realização proeminente da física do século XX não foi a teoria da relatividade, nem a teoria dos quanta, ou a dissecação do átomo, mas a divulgação de que a ciência não chegou a realidade última. Mas na forma em que esta divulgação já havia sido feita por alguns filósofos que inclui a afirmação mais amplo que o método abstrativo da ciência nunca, porque jamais poderia, alcançar a realidade última: a própria natureza do método científico de explicar a diversidade, reduzindo à identidade, em virtude da qual a ciência tende a emitir em matemática, torna este feito intrinsecamente impossível. Ao coar o sensível, o qualitativo ou histórico a ciência teórica coa fatos e o real também. Pode-se chegar a leis e equações válidas, mas não as realidades quais seus símbolos representam. Pode chegar ao conceitual ou um sistema de idéias abstratas; mas uma ideia abstrata não é uma realidade última: meta-fisicamente não é nada."

Todo interesse de oposição a TDI é metafísica, repousa exclusivamente na realidade última: qual a natureza da realidade última? Quando sabemos por definição que a ciência não alcança a plenitude da realidade. Como eu disse na Teoria Cibernética do Design, repito:

“O grande impacto aterrorizante da TDI é retirar uma certeza não científica de uma realidade última material.”

Não há nenhum prejuízo científico nisso e os que discordam não deveriam se gabar porque estão escorando suas teorias em um objeto de fé. Aliás,  a presunção da realidade última é uma das definições do resultado esperado nas experiências religiosas[3].


“Contudo, como há muitas concepções distintas do que seja a realidade última da matéria e também acerca de seu princípio explicativo fundamental, o materialismo encontra diferentes formas de expressão ao longo do tempo.”

[1] Araujo, Saulo de Freitas. “Materialism’s eternal return: recurrent patterns of materialistic explanations of mental phenomena.” Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo) 40.3 (2013): 114-119.

[2] Tennant, Frederick Robert. Philosophy of the Sciences. Cambridge University Press, 2014.

“Eliade define a experiência religiosa como “um desesperado esforço por descobrir o fundamento das coisas, a realidade última.”

[3] Wirth, Lauri Emilio. “A memória religiosa como fonte de investigação historiográfica.” Estudos de Religião 25 (2003): 178.


Junior D. Eskelsen
About Junior D. Eskelsen 116 Articles
Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

1 Comentário

  1. Os ganhadores do Nobel de física de 2016 foram premiados por descobertas teóricas sobre transições de fases topológicas da matéria, teorizaram na física da matéria condensada que ajudam a decifrar o comportamento da matéria em novos estados físicos. A pretensão é tranformar o modo como pensamos em novos materiais. Uma idéia abstrata em busca da realidade última (sem terror).
    A minha preocupação em relação a displicente relação da TDI com a busca do gerador das informações biológicas se relaciona com a possibilidade real de intervir nestas informações e alterá-las com objetivos benéficos à medicina.
    A abstração teórica é o primeiro passo das descobertas. Se a rede de informações biológicas nos microorganismos biológicos que compõem a vida recebem informações que podem levar o conjunto a doenças, é lógica a conclusão: “as informações biológicas primordiais de um Designer primoroso sofreram alterações que podem ser manipuladas e revertidas
    .
    “Afinal a teoria DI é um esforço para se provar a existência de um criador supremo. Eu particularmente não preciso disto e pelo visto, muitos cientistas concordam comigo”.

    Talvez não precisemos do criador supremo Ele é que precisa de nós. Somos dependentes das informações biológicas primordiais que estão sendo distorcidas por hábitos em desequilíbrio. Todas as informações necessárias ao equilíbrio se encontram codificadas nos receptores e transmissores biológicos combinados com campos cósmicos e microorganismos biológicos dos alimentos.
    Uma idéia abstrata (parece uma redundância) cuja lógica tranporta para algo plausível, é sempre o início do que poderá levá-lo a um Nobel. Abração J. Eskelsem.

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