Criando Falácias com a Navalha de Ockham

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A postagem abaixo pode não ser perfeita, mas ilustra o que realmente ocorre constantemente em debates. O autor, apesar de citá-las como exemplo, não reconhece as narrativas históricas como ciência – que é quando há mais de uma possibilidade de causa para um mesmo efeito – porque rejeita a Inferência a Melhor Explicação (inferência abdutiva).


O assunto agora é a Navalha de Ockham, que creio que é uma das mais deturpadas dos tempos pós-modernos. O que diz a Navalha de Ockham?

"Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor".

Isso é a mesma coisa que dizer que, acerca de uma teoria qualquer, devemos expô-la da maneira mais simples possível.

Será que a 2a lei de Newton é mais simplesmente expressada em termos de força, massa e aceleração ou em termos de quantidade de movimento, massa e velocidade? Ora, as duas formas de explicação são idênticas, mas a primeira forma tem sido entendida com a mais simples, e então essa forma foi a escolhida e a outra, “navalhada”.

A outra aplicação (correta) da Navalha de Ockham é para eliminar dados de entrada irrelevantes para a resolução de um problema. Por exemplo, os povos antigos imaginavam que os corpos com mais massa bateriam no chão primeiro se fossem soltos ao mesmo tempo do alto de uma estrutura (desconsiderando-se a resistência do ar). Se isso fosse verdade, a massa seria uma variável relevante para se calcular o tempo em que um corpo chega ao chão em queda livre. Imaginem todo o esforço para calcular precisamente a massa de um corpo para depois descobrir que o seu valor é irrelevante para a solução do problema! Então, a Navalha de Ockham serve para “cortar” a variável “massa” da lista de variáveis de entrada necessárias para calcular a queda livre de um corpo. Podemos medir a massa para calcular a queda livre? Podemos! Só que não vai servir para esse propósito.

Qual é então o mau uso da Navalha? É quando a utilizam para decidir entre teorias diferentes, em que uma é supostamente a mais simples. Ora, nada garante que a teoria mais simples é a verdadeira. Pode ser o contrário.

Então, por exemplo, alguns dizem que a realidade pode em princípio ser explicada sem Deus, que a teoria sem Deus é mais simples, e, logo, a hipótese de Deus pode ser descartada pela Navalha. O mesmo argumento também tem sido por vezes utilizado para se decidir entre a Teoria do Design Inteligente e a Teoria da Seleção Natural. Como a Teoria da Seleção Natural usa um agente a menos (Deus) para explicar a evolução, ela é considerada mais simples e a TDI é “descartada” pela Navalha.

Qual é a falácia do argumento? É que a Navalha só pode ser utilizada para decidir entre teorias idênticas (expostas de formas diferentes), e não entre teorias diferentes.

É claro que o argumento poderia ser usado no sentido contrário também, ou seja, eu posso alegar que é muito mais simples dizer que “Deus criou tudo” ao invés de elucubrar como a natureza poderia ter feito tudo cegamente e sozinha. Pau que dá em Chico, dá também em Francisco. Mas não prova nada, mas apenas aumenta a ignorância, ao julgarmos que sabemos (ou estamos mais próximos da verdade), quando estamos ainda na mais profunda ignorância.

Então, por favor né, meus amigos. Não insultem a inteligência alheia com o mau uso do argumento da Navalha de Ockham.

Rafael Gasparini Moreira


Junior D. Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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