Ancestralidade Comum

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Diariamente “refutações” ao Design Inteligente são publicadas em blogs, vídeos e redes sociais. Apesar de irrelevantes na maioria dos casos elas sempre associam o Design Inteligente ao Criacionismo, mas, tirando a dependência bíblica, qual a principal assertiva criacionista e como ela foi refutada?

O cerne do Criacionismo sempre foi uma descontinuidade no registro fóssil, o que atualmente eles chamam de Descontinuidade Sistemática, requisito fundamental para a alegação de criação, isso é, aparecimento abrupto. Antagonicamente, com hegemonia na comunidade científica, está a proposta darwinista que tem como cerne a alegação contrária de continuidade. Atualmente sustentam como fato até a ancestralidade comum.

A descontinuidade seria o ponto de encontro daquilo que os criacionistas chamam de tipos básicos, após 1941 também chamados de baramins, os quais eram altamente plásticos como podemos ver num excerto sobre W. Herbert1((isso em 1822):

O venerável e reverendo W. Herbert, mais tarde deão de Manchester, escrevia em 1822, no 4., volume das Horticultural Transactions, e na sua obra as Amaryllidacées (1837, p. 19, 339), que «as experiências de horticultura têm estabelecido, sem refutação possível, que as espécies botânicas não são mais que uma classe superior de variedades mais permanentes». Aplica a mesma opinião aos animais e vê que as espécies únicas de cada género foram criadas num estado primitivo muito plástico, e que estes tipos produziram ulteriormente, principalmente pelo cruzamento e também por variação, todas as nossas espécies existentes.

A abordagem e análise da crítica a baraminologia se sustenta sempre por tendenciosidade e falácia genética no tocante a origem da perspectiva ser bíblica2. Também são utilizadas estratégias com conceitos, fragilização da posição criacionista com o uso do termo fixista4 como estático sobre uma ideia arbitrária e “conveniente” de espécie. Na outra mão a flexibilização do conceito de evolução segue uma estratégia invasiva, por exemplo, usando conceitos mais fracos como “mudança através do tempo” para validar conceitos mais fortes tal como “ancestralidade universal comum”5.

O descobridor do mecanismo de seleção natural, Patrick Matthew*, aparenta em seus escritos crer “… que o mundo foi quase despovoado em períodos sucessivos e povoado de novo em seguida;…”6, o que em certos aspectos realmente tem suporte em extinções em massa. Já outros naturalistas continuavam sustentando os tipos básicos, aqui, Rafinesque7:

Na Nouvelle Flore de l’Amérique du Nord (1836, p. 6), Rafinesque exprimia-se assim: «Todas as espécies podiam ser outrora variedades, e muitas variedades tornaram-se gradualmente espécies, adquirindo caracteres permanentes e particulares»; e um pouco mais adiante (pág. 18) acrescenta: «exceptuando os tipos primitivos ou ancestrais do género».

Em sua publicação Darwin expõe uma lista de “dissidentes” da criação que dariam suporte ao seu trabalho de revisão bibliográfica8:

Devo juntar que em 34 autores citados nesta notícia histórica, que admitem a modificação das espécies, e rejeitam os actos da criação isolados, há 27 que escreveram sobre ramos especiais de história natural e geologia persistem há muito tempo, sendo modificadas algumas somente, e explica as diferenças actuais pela destruição das formas intermédias.

Normalmente uma evidência é suficiente para mudar ou pelo menos suspender os juízos sobre determinadas hipóteses, menos no caso da ancestralidade comum. Um problema grave para a continuidade até a ancestralidade comum é encontrado principalmente no evento conhecido como Explosão Cambriana. O conceito evolutivo de Darwin é modesto, “descendência com modificação”, mas podemos ver neste problema que a natureza de sua ideia paira sustentada por crença sobre o vazio da evidência de ausência, que é o abrupto aparecimento de uma fauna inteira9:

Não obstante, a dificuldade de explicar, com boas razões, a ausência de vastos pavimentos de camadas fossilíferas abaixo das formações do sistema cambriano superior fica sempre muito grande.
...
O problema fica pois, por enquanto, inexplicado, insolúvel, e pode continuar a servir de sério argumento contra as opiniões emitidas aqui...

 

Esta imagem resume o atual status da contenda descontinuidade versus continuidade. Criacionismo versus Evolucionismo. Créditos na imagem.

A realidade é que todos os problemas persistem até hoje. A descoberta de registros anteriores ao Cambriano  não melhorou a situação, pois essas faunas denunciam a descontinuidade pela abrupta diferença entre ambas. O que deveria apresentar algumas amostras de um imenso gradiente de formas apresenta uma ruptura com raras exceções .

Cinco grandes faunas e em suas colunas as respectivas formações.

Esta tendência não acaba por aí, é uma constante.

Em resumo, na questão de continuidade versus descontinuidade – Criacionismo versus Evolucionismo, o que podemos dizer é que antes de se refutar a TDI deveriam aceitar o fato de que a Descontinuidade Sistemática permanece superior a Ancestralidade Comum.

* Apresentei Pattrick Matthew como o primeiro, mas evidências apontam que William Charles Wells abordou a seleção natural em 1813.


Referências

[1] W. Herbert (1837). p. 7 (Livro)
[2] Alan Gishlick. Baraminology. 2006. (Acessar)
[3] Matthew (1831). p. 8 (Livro)
[4] Júnior D. Eskelsen. Fixismo? (Acessar)
[5] A Evolução é Hipótese ou um Fato? (Acessar)
[6] Patrick Matthew’s law of natural selection (Acessar)
[7] Rafinesque (1836). 8 (Livro)
[8] Darwin lista dissidentes da criação. p. 12 (Livro)
[9] Darwin sobre a Explosão Cambriana. p. 324 (Livro)

(Livro) Darwin, Charles. A origem das espécies. Lelo & Irmão, 2005.


Junior D. Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.

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