O Movimento do Design Inteligente no Brasil

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"Por razões cronológicas das traduções brasileiras daqueles livros, destaco a fundação do movimento do Design Inteligente no Brasil – Agosto de 1998, na Unimep, em Piracicaba, SP, após leitura e discussões sobre o livro A Caixa Preta da Darwin, de Michael Behe." ― Enézio E. de Almeida Filho

Essa passagem, retirada de uma tréplica aos críticos nacionais[1], remete a origem do Movimento do Design Inteligente no Brasil, que começa com o marco da fundação do Núcleo Brasileiro de Design Inteligente, em 1998.

Assim como Thomas Huxley foi o buldogue de Darwin na Inglaterra, o fundador do movimento nacional, ex-ateu e ex-evolucionista de carteirinha, é o pitbull do Design Inteligente no Brasil. Pelo menos é assim que alguns o chamam no ciberespaço. Se hoje temos conhecimento do Design Inteligente no Brasil, é graças ao esforço perseverante do atual presidente emérito e fundador da SBDI, Enézio Eugênio de Almeida Filho.

Enézio Eugênio de Almeida Filho - Presidente Emérito da Sociedade Brasileira do Design Inteligente
Enézio Eugênio de Almeida Filho – Presidente Emérito da Sociedade Brasileira do Design Inteligente
"O então incipiente MDI – não enchia uma Kombi em 2000, não tinha controle sobre o que era traduzido e publicado, e nem tem hoje, ..." ― Enézio E. de Almeida Filho

2001

Um dos primeiros registros na internet sobre o Design Inteligente já é um debate, especificamente um diálogo[2], que ocorre entre nosso querido Marcus Valério XR e a também estimada Dra Márcia Oliveira de Paula em 2001. Na publicação encontramos:

"Talvez até seja verdade, e eu gostaria muito que fosse. Sou simpático à proposta do Design Inteligente e tenho pouco a dizer contra isto." ― Marcus Valério XR

No mesmo ano, talvez até antes, Hélio Schwartsman faz suas primeiras considerações sobre o Design Inteligente[3], o que seria a primeira crítica superficial de muitas sobre o assunto.

"... navegando pelo 'The New York Times' neste fim de semana, topei com uma interessante matéria intitulada 'Evolucionistas combatem nova teoria da criação', que expõe a contenda entre evolucionistas e os novos criacionistas, os quais preferem ser chamados de partidários da teoria do 'design' inteligente." 
Hélio Schwartsman

Superficial sobre o assunto, não sobre a TDI, pela razão de todas as argumentações girarem em torno de espantalhos e até mesmo prova teológica.

"Considerar que só se pode acreditar em Deus se a ciência provar que Ele existe ou afirmar peremptoriamente que tudo no mundo, inclusive a queda de cada gota de chuva, é a expressão atual de uma vontade divina também atual constitui a prova de que o intelecto humano não é assim tão perfeito. Ele apresenta problemas, está cheio de 'bugs'. Difícil acreditar que uma mente capaz de tais destemperos seja a expressão de um 'design' inteligente." ― Hélio Schwartsman

2004-2005

Em 2004 foi publicado um artigo na seção Presença do Leitor por Enézio E. de Almeida Filho intitulado “A Teoria do Design Inteligente não é criacionismo”[4].

No fim de 2004 a jornalista Eliane Brum fez uma série de entrevistas para a produção do especial “E no princípio era o que mesmo?” da primeira publicação de 2005 da Revista Época[5].  Após entrevistar representantes de várias áreas e perspectivas o conteúdo parecia comprometido desde sua idealização. A TDI foi descaracterizada:

"1990 - Bruce Chapman funda o Discovery Institute, em Seattle, quartel-general do Intelligent Design (ID) - facção mais sofisticada do grupo criacionista. Afirma que o alto grau de 'informação' codificada na estrutura íntima da matéria e no design dos seres vivos e do mundo natural exigiria a existência de intencionalidade." ― Eliane Brum

As considerações sobre a postura da jornalista foram feitas por alguns entrevistados e registradas na publicação Preconceito na revista Época[6].

2006

Numa bela manhã de uma quinta-feira, logo cedo, uma postagem iniciava o blog pós-darwinista Desafiando a Nomenklatura científica[7]. Seu escritor, Enézio E. de Almeida Filho.

Este blog foi, e ainda é, responsável por antecipar as novidades da Academia, algumas vezes bem antes do cenário acadêmico nacional reconhecer tais novidades.

Logo nos primeiros registros temos a publicação “Como não criticar o Design Inteligente”[8] que aborda a superficialidade e contradição no discurso anti-inteligentista.

Creio que pouca gente conhecesse o Design Inteligente naquele tempo. Às vésperas de 2007, assistindo documentários de toda sorte no Youtube incluindo Zeitgeist e The Blind Watchmaker, por acidente encontrei um que estava relacionado, Unlocking the Mystery of Life [9]. Esse último era produzido por dissidentes da ideia dominante na Academia sobre os processos evolutivos, até achei interessante, algo ousado. Em menos de um mês eu nem recordaria, convocado pelo alistamento só voltaria a ter contato com esse tema em 2013.

2007

Em 2007 a seção Ideias da Revista Galileu publica “O convite de Darwin” de Enézio E. de Almeida Filho [10], no mesmo ano um dos mais ilustres cientistas brasileiros viria a conhecer a TDI. O Dr. Eberlin – químico, cientista e professor – se indignou ao ler a Revista Veja 2007 na matéria cujo título era algo como “Darwin – Como ele mudou o mundo – Por que sua teoria da evolução ainda incomoda – O Darwinismo em 10 lições.” com uma insinuação de razão versus Deus, ou ainda, Darwin matou Deus. [11] [12]

A reação foi algo como o que “Paley não soube expressar”; transformar a ideia da inviabilidade química, o conhecimento tácito da experimental, em conteúdo explícito para transmitir aos interlocutores o teor da realidade dos fatos. Felizmente o Dr. Eberlin encontrou o blog de divulgação, Desafiando a Nomenklatura científica, do Enézio E. de Almeida Filho.

"Foi uma reação tremenda, e os alunos ficaram fascinados com minha declaração e um debate se estabeleceu, e durou horas, muito além do período da aula.

(...)

"Foi então que um aluno sugeriu, e eu maluco-beleza que sou de pronto aceitei, que eu desse uma palestra sobre a origem da Vida e a evolução sob o prisma de minha visão acadêmica inteligentista.

Surpreso com minha nova missão e sem saber por onde começar ... comecei a ler e pesquisar na internet, e eu tinha só 2 dias para me preparar. Foi ai que encontrei um blog que me fascinou sobremaneira, pois nele vi reproduzido o cerne de minha percepção sobre o assunto, o ", do "meu chefe" atual, Enézio E. de Almeida Filho. Por este blog conheci a TDI, para mim uma ilustre desconhecida, e fiz os primeiros contatos com o coordenador do então NBDI." [13]

2008-2012

A partir do Primeiro Simpósio Internacional Darwinismo Hoje na Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2008[14] foram realizados outros três eventos com participações de proponentes do Discovery Institute. Eberlin já estreou no primeiro evento. Outros participantes foram:

✓ Paul Nelson (2008)
✓ Paul Nelson e John Lennox (2009)[15]
✓ Scott A. Minnich e Stephen C. Meyer(2010)[16]
✓ Michael Behe (2012)[17]

Últimas articulações

2013-2014

Desde 2013 o movimento vem tomando forma, reunindo especialistas, estudantes, curiosos e, infelizmente, adversários não muito interessados em algo mais do que suprimir o movimento.

Em 2014 começou a ser planejado o Primeiro Congresso do Design Inteligente no Brasil[18].  As tentativas de relacionar a TDI ao cristianismo, a Bíblia e a introdução do Design Inteligente nas escolas por meio político (possivelmente através da bancada religiosa) cresceram vertiginosamente.  Entretanto, não existe qualquer ligação, qualquer lobby no congresso, qualquer projeto de lei com referência ao Design Inteligente ou contato entre qualquer inteligentista e parlamentares ou partidos políticos nesse sentido.

Não existe nos pressupostos, nem nas premissas, nem no desenvolvimento ou nas conclusões da teoria qualquer referência à características exteriores a nossa possibilidade de conhecimento. A TDI está focada nas características que destoam das tendências de processos puramente materiais, o que conhecemos como produto de agência inteligente, por nossa uniforme e repetida experiência.

As palavras às vésperas do evento são marcantes[19], um pouco de emoção, uma pausa para o espírito de inquirição do árduo trabalho de crítica e construção ininterruptos.

Por ocasião de abertura do Congresso, o NBDI - Núcleo Brasileiro de Design Inteligente, criado em agosto 1998, em dependências de um Programa de Pós-Graduação da UNIMEP, Piracicaba, SP, deixará de existir para se tornar a SBDI - Sociedade Brasileira de Design Inteligente.

Uma longa caminhada de um pequeno grupo de professores, pesquisadores e defensores, cheia de entraves, mal-entendidos, de achaques e vilificações, de proibições de palestras em universidades públicas.

Valeu a pena. Faríamos tudo de novo. — Enézio Eugénio de Almeida Filho

Nascia, sobre o antigo NBDI,  a Sociedade Brasileira do Design Inteligente. Em toda sua caminhada o MDI nunca esteve envolvido com parlamentares ou em articulação para alterar legislação ou plano de ensino como insinua a crítica nacional.

O futuro  do Design Inteligente? Isso só o tempo dirá.


Referências:

[1] Réplica ingênua, desatualizada e pífia. Enézio E. de Almeida . 2014.
http://observatoriodaimprensa.com.br/mosaico/_ed841_replica_ingenua_desatualizada_e_pifia/

[2] Diálogo. Marcus Valério XR e Dra Márcia Oliveira de Paula. 2001.
http://www.evo.bio.br/layout/drmarcia3.html

[3] O “design” ontológico. Hélio Schwartsman. 12/04/2001
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u356318.shtml

[4] A Teoria do Design Inteligente não é criacionismo. Enézio E. de Almeida Filho. 2004.
http://www.comciencia.br/presencadoleitor/artigo15.htm

[5] Especial: E no princípio era o que mesmo?
Página: A evolução do criacionismo. Eliane Brum. Revista Época. Edição 346 – 03/01/05
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT884203-1664-7,00.html

[6] Preconceito na revista Época. 2005.
http://www.filosofiadasorigens.org.br/fo/index.php/aconteceu-na-midia-menu-artigos/120-preconceito-na-revista-epoca

[7] Desafiando a Nomenklatura científica. Quinta-feira, janeiro 19, 2006 às 7:38 AM
http://pos-darwinista.blogspot.com.br/2006/01/desafiando-nomenklatura-cientfica.html

[8] Como não criticar o Design Inteligente. Sexta-feira, janeiro 27, 2006
http://pos-darwinista.blogspot.com.br/2006/01/como-no-criticar-o-design-inteligente.html

[9] Unlocking the Mystery of Life
https://www.youtube.com/watch?v=NiyJukYwi1Q

[10] O convite de Darwin. Enézio E. de Almeida Filho. Revista Galileu. Edição 187 – Fev/07
http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT578940-1726,00.html

[11] A revolução sem fim de Darwin. 2007.
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/revolucao-fim-darwin-802708.shtml

[12] Destaques de revistas semanais brasileiras. 5/2007.
http://www.brasilnews.com.br/News3.php?CodReg=15003&edit=Revistas&Codnews=999

[13] Mero Acaso ou Design Inteligente?
Capítulo 83. Por que combato a evolução e defendo a TDI? MN Eberlin
http://www.widbook.com/ebook/read/fomos-planejados

[14] I Simpósio Internacional Darwinismo Hoje. 2008.
http://www.mackenzie.br/10394.html

[15] II Simpósio Internacional Darwinismo Hoje. 2009.
http://www.mackenzie.br/2_darwinismo_programacao.html?&L=0%60

[16] III Simpósio Internacional Darwinismo Hoje. 2010.
http://www.mackenzie.com.br/3_darwinismo_ap.html

[17] IV Simpósio Internacional Darwinismo Hoje. 2012.
http://www.mackenzie.br/4_darwinismo_programacao.html

[18] Chamada. YouTube. 1º Congresso Brasileiro do Design Inteligente.
https://www.youtube.com/watch?v=yfnYGjjlOGk

[19] Chegando a hora do Primeiro Congresso e da fundação
da Sociedade Brasileira de Design Inteligente. 2014.
http://pos-darwinista.blogspot.com.br/2014/10/chegando-hora-do-primeiro-congresso-e.html


Junior D. Eskelsen
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Responsável pelo portal tdibrasil.org e pela página Teoria do Design Inteligente no Facebook. Colabora com as atividades do movimento do Design Inteligente no Brasil.